No ano de 1999, o sociólogo polonês Zygmunt Baumann lançava o livro “Modernidade Líquida”, uma belíssima obra que falava sobre a fragilidade das relações sociais e econômicas.

Segundo ele, mudança, maleabilidade e flexibilidade são as palavras que definem todas as relações nos dias de hoje. Claramente inspirado na grande obra do sociólogo polonês, o autor brasileiro Valter Bahia Filho lançou o livro “Conhecimento Líquido”.

A analogia desta obra com a modernidade líquida proposta por Zygmunt Baumann fica clara quando o autor aborda o conhecimento e a aprendizagem como as principais molas propulsoras não só das nossas carreiras, mas sim de toda a sociedade. Para Valter Bahia Filho, o que aprendemos no passado não se torna inválido, mas pode logo se tornar obsoleto, na medida em que não aprendermos algo novo diariamente.

Essa forma de ver a emergência do conhecimento e da aprendizagem nos dias atuais já foi alertada por grandes escritores como Alvin Toffler (ao falar da Era da Informação), Peter Senge (ao falar da Quinta Disciplina) e Peter Drucker (ao propor a Sociedade do Conhecimento).

Todos esses autores são devidamente mencionados por Valter Bahia Filho, o que torna “Conhecimento Líquido” uma obra que resgata a história recente do conhecimento e aprendizagem organizacionais. Ao falar sobre tecnologia e a popularização da internet, o autor alerta que o conhecimento é acessível a todos e que não há barreiras temporais ou geográficas para que seja o conhecimento seja compartilhado.

Particularmente, eu gosto muito do livro porque o autor faz uma relação muito interessante entre a neurociência e a aprendizagem, lembrando que o cérebro possui uma espécie de plasticidade que permite que possamos aprender por toda a vida. Ele também mostra como a neurociência está buscando meios para explorar da melhor maneira a nossa capacidade de aprendizagem.

Outro ponto que eu destaco no livro é a forma como o autor trata a interface entre o ser humano e a tecnologia, entre a inteligência humana e artificial. A abordagem não tem a pretensão de esgotar o tema, mas é muito bem-sucedida a nos fazer refletir a respeito do nosso papel na geração e compartilhamento do conhecimento, ao nos lembrar que o cérebro é um órgão social e que o aprendizado deriva da socialização e da interação com o outro.

O livro é estruturado de uma forma que me agrada muito, pois é composto por vários textos que estão organizados em quatro partes, que podem até mesmo serem lidas de forma aleatória, sem comprometer o entendimento do todo:

  • Neurociências;
  • Aprendizagem corporativa;
  • Comunicação;
  • Impacto da era digital na aprendizagem.

E por fim, uma curiosidade: eu tomei conhecimento desse livro por acaso. Estava em uma livraria quando, de repente, esta obra chamou minha atenção pelo seu título e por ter recentemente falado sobre o tema com uma pessoa de quem gosto muito. Imediatamente comprei o livro para presentear essa pessoa, na esperança de que ela me emprestasse tão logo tivesse finalizado a leitura. E foi assim que tomei conhecimento dos ricos textos que fazem parte de “Conhecimento Líquido”.

FICHA CATALOGRÁFICA:
BAHIA FILHO, Valter. Conhecimento líquido: insights sobre neurociências, aprendizagem e humanização organizacional. Rio de Janeiro: Alta Books, 2020.

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