Nas minhas consultorias, costumo usar muito a seguinte frase: “- O resultado da sua empresa começa no processo seletivo!” Essa frase não tem o objetivo de ser impactante ou fatalista. É apenas um alerta que eu faço, por conta de algo que eu tenho observado de forma cada vez mais frequente:

A rotatividade nas empresas tem aumentado e, essa rotatividade, impacta diretamente na qualidade do produto ou serviço, na produtividade e, consequentemente, no resultado.

Essa rotatividade é mais presente no público mais jovem. Os novos talentos têm procurado algo muito maior do que um emprego, um trabalho que lhes traga uma renda e que permita que eles comprem casa, carro e constituam família.

Os novos talentos têm procurado por algo que tenha sentido, pelo seu propósito.

Para as empresas tradicionais, que lançam mão de ferramentas de recrutamento e seleção tradicionais, essa mudança é um verdadeiro choque. Digo isso porque as bases que fundamentam os processos seletivos ainda estão moldadas para contratar pessoas das gerações mais antigas – aquelas que, de fato, procuram por um trabalho que lhes dê renda e estabilidade. Só que essas novas gerações (Y, Z, Millenium, etc.) pensam de forma bem diferente.

Em matéria publicada na Revista Exame, a consultora Sofia Esteves alerta que propósito de vida é talento em movimento! E nessa busca, os jovens compreendem a vida profissional como uma extensão do que são e do que desejam viver e expressar. As empresas precisam ter atenção a isso se quiserem ter sucesso na atração e retenção dos novos talentos.

A consultora defende que os processos seletivos precisam ser customizados, adequados à vaga que precisa ser preenchida. Ela afirma que se o perfil precisa ser engajado, criativo e inovador, a forma como o recrutamento é realizado também deve ser assim. Afinal, não é apenas a empresa que escolhe um talento, ele também tem que escolher investir na sua organização.

Isso está diretamente relacionado ao que tenho observado no dia-a-dia. Os jovens também estão entrevistando a empresa. Para os recrutadores e empresas mais tradicionais, essa afirmação parece um absurdo. Mas, o fato é que já passou aquela época do “eu tenho o emprego que você quer”.

Estamos na era dos comportamentos e atitudes e é preciso que as empresas criem a condição para que as pessoas deem o máximo de sua capacidade. Além disso, é preciso garantir que as pessoas apliquem suas capacidades nos lugares certos.

Sou muito favorável à mudança na forma como os processos seletivos são conduzidos. Aliás, muitos já me ouviram falar (ou melhor, recomendar), que usem ferramentas de perfil comportamental nas entrevistas. Há diversas ferramentas disponíveis e elas são esclarecedoras, pois permitem identificar algumas competências básicas do profissional e até a área de atuação em que poderá ter maior aderência.

Vale lembrar que a tradicional triagem por meio do currículo continua sendo válida. Aliás, o currículo continua sendo muito necessário, pois ele é a nossa carta de apresentação para o mercado de trabalho. Mas, cabe às empresas fazer processos seletivos que mostrem mais do que está escrito no currículo do candidato.

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