Recentemente, ouvi um discurso de um empresário que, aos 50 anos de idade, afirmou estar se preparando para a segunda metade de sua vida e para tanto estava disposto a se reinventar e reinventar a sua carreira e a sua empresa.

Ele afirmou que, para tomar esta decisão, precisou passar por um momento de crise, de dúvidas sobre qual rumo iria dar para a sua vida profissional.

Essa não foi a primeira vez que ouvi alguém falar sobre as dúvidas e incertezas que começaram a pairar sobre a sua carreira ao chegar naquela fase da vida conhecida como “meia-idade”.

Deixando de lado a questão da idade, ou melhor, da faixa etária em si, tenho certeza de que essa constatação sobre a carreira tem sido cada vez mais comum em vários profissionais, até porque também passei por uma desconstrução e reconstrução profissional ao chegar numa determinada fase da minha vida.

Os motivos que fazem com que a gente comece a ter esses questionamentos são diversos. Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a maioria de nós começou a trabalhar muito cedo, com 15 ou 16 anos de idade. E quando chegamos aos 40 anos já temos mais de 25 anos de trabalho.

Muito provavelmente, teremos um bom currículo, seremos reconhecidos pelo que fazemos. Teremos alguma estabilidade material, filhos crescidos, etc. E só então conseguiremos perceber as verdades sobre a nossa carreira que aparecem depois dos 40 anos:

  • Você precisará de um planejamento financeiro: apesar de estarmos trabalhando há tanto tempo, estamos muito longe da aposentadoria. Na realidade, estamos na metade do caminho. E sabemos que não conseguiremos nos manter financeiramente com o dinheiro que iremos receber deste benefício. Isso faz com que seja preciso que a gente se prepare financeiramente para o futuro;
  • Você descobrirá seu propósito e vai querer se dedicar a ele: muitas pessoas afirmam que não aguentam mais fazer o que fazem. Não querem mais a pressão e o stress aos quais foram submetidos por todos esses anos. Talvez essa seja a sua situação e isso pode fazer com que você queira fazer aquilo que sempre sonhou em fazer, o seu propósito de vida;
  • O crescimento profissional terá outro significado para você: crescer profissionalmente não terá somente a ver com ascender na hierarquia. Novos desafios ou oportunidades de fazer coisas diferentes na mesma empresa ou carreira – e que não signifiquem uma promoção – irão dar um novo gás ao seu trabalho, pois irão lhe tirar da zona de conforto;
  • Haverá conflitos com as gerações mais jovens: quando começamos a nossa vida profissional havia somente duas gerações trabalhando nas empresas – a nossa e a dos nossos pais. Atualmente há cinco gerações dentro das empresas, convivendo diariamente em meio a conflitos de ideias, diferenças de opiniões, valores e níveis de amadurecimento distintos. Esses conflitos desgastam e fazem com que a gente reflita muito sobre os rumos da nossa carreira;
  • Você terá que investir em si próprio: boa parte das pessoas que me procuram para realizar processos de Coaching estão nesta fase da vida, investindo na sua evolução pessoal para ter crescimento profissional. Muitos outros consideram a possibilidade de fazer uma segunda graduação ou especialização e até intercâmbios. O que importa é a melhoria contínua!

O fato é que se desejamos que a segunda metade da nossa vida profissional seja mais produtiva, menos estressante e ligada a um propósito, teremos que investir em nós mesmos.

É um renascimento, um começar de novo que demanda que a gente passe novamente por muitas coisas que passamos no início da nossa vida profissional.

Só que a vantagem é que estamos num patamar diferente, de maior amadurecimento, conhecimento e experiências que são essenciais para nos mantermos competitivos em nossas carreiras.

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