Uma das dúvidas que as pessoas mais apresentam nos processos de Coaching que eu realizo tem a ver com tornar seu papel dentro da organização mais estratégico.

Essa dúvida surge porque muitas pessoas têm a sensação de que seu trabalho é muito operacional. Às vezes, sem sentido e porque na maioria das vezes não conseguem ver a verdadeira contribuição que seu trabalho está realizando.

Essa dúvida surge porque para muitas pessoas o despertar do senso de pertencimento para com a empresa somente aparece quando elas veem que seu trabalho faz algum sentido.

Caso contrário, se perguntam por que vale a pena dedicar horas do seu dia “apertando parafusos” tal como Charles Chaplin fez nos filme Tempos Modernos.

Reparo também que essa dúvida é muito mais presente nas gerações mais jovens, que ainda não alcançaram um cargo de liderança ou que estão há pouco tempo nessa função.

As gerações mais jovens desejam verdadeiramente encontrar um propósito para o seu trabalho; desejam ver que sua atividade é parte importante de um todo.

Naturalmente, para os gestores mais experientes – geralmente da Geração X – essa dúvida não faz sentido. Quando alguém lhes traz essa questão, muitos gestores da Geração X dizem:

“É claro que teu trabalho é importante! Se não fosse, você não estaria aqui! Ainda mais em épocas de crise!” Uma resposta assertiva, que tem muito sentido, claro. Mas que muitas vezes traz consigo aquela mensagem subliminar que bate no fundo da nossa mente e nos alerta: “É bom ficar ligado. Somos substituíveis. Qualquer coisa que aconteça, a gente vai dançar!”

Eis então a resposta para a pergunta do começo do texto: “Como eu faço para tornar o meu trabalho mais estratégico?” E eu respondo: “Seja insubstituível!” (não acredito que sejamos insubstituíveis, mas esta é uma forma de chamar à responsabilidade e de causar empoderamento).

Mas, o que precisamos fazer para nos tornarmos insubstituíveis? A resposta é: pensar com a cabeça do dono!

Ser estratégico para a empresa é bem mais do que ter um cargo de gestão. É fazer com que o fruto do seu trabalho seja relevante para a gestão da empresa, para a tomada de decisões, para os resultados e para o crescimento da organização.

Em outras palavras, ser estratégico tem a ver com trabalhar de forma alinhada com o planejamento da empresa, entregar ações, informações e resultados que contribuam verdadeiramente para a empresa. É ser um solucionador (alguém que traz soluções). É pensar com a cabeça do dono (ou dos gestores).

Vale reforçar que não estamos falando de copiar os comportamentos e atitudes do gestor. Ou até as manias e o jeito de falar. Tem gente que confunde isso.

Pensar com a cabeça do dono tem a ver com empatia, ou seja, de se colocar no lugar do gestor a fim de identificar como nosso trabalho pode ser ainda mais útil para resolver os desafios que ele tem no dia a dia.

Tem a ver com antecipar-se às demandas e trazer soluções para os problemas que aparecem a fim de facilitar o trabalho dele; tem a ver até com questionar se o que você está fazendo hoje tem utilidade para alguém para eventualmente mudar o conjunto de atividades que você realiza – essa é uma das premissas do downsizing.

Aliás, é importante lembrar outro ponto: a gente imagina que o chefe vai pedir ajuda quando precisar. E assim a gente fica quieto no cantinho, esperando.

Ledo engano, pois muitas vezes o chefe não pede ajuda justamente por não saber onde ela é necessária. Por isso é importante se expor e perguntar, afinal, não conseguimos ser estratégico sem sermos notados e ficarmos em evidência.

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