Muitos estranhariam se eu dissesse que sair da crise é uma questão de escolha. É difícil entender e concordar com isso, quando estamos no meio de uma crise, e de todas as dificuldades que um momento de crise traz para cada um de nós. Porém, penso que há casos em que a crise acaba sendo uma opção mesmo…

Nós fizemos essa opção quando deixamos de reagir ou quando nos habituamos à crise, ao ponto de torná-la parte do nosso dia a dia.

Esse foi o pano de fundo, ou melhor, o estímulo para William Deming escrever um livro muito bom, chamado “Saia da Crise”. Lançado em 1982, o livro registra a longa experiência de Deming na área da Gestão da Qualidade, e resume todo o seu trabalho naquilo que ficou mundialmente conhecido como:

Os 14 pontos da Administração

Segundo Deming, a ausência de planejamento para o futuro resulta em perda de mercado e menor oferta de empregos. Ele defendia que os administradores não devem ser avaliados apenas em função dos balanços, mas em função dos planos que são capazes de conceber.

Deming foi muito importante para a reestruturação (ou melhor, reconstrução) do Japão, após a Segunda Guerra Mundial. Aliás, arrisco a dizer que os seus ensinamentos ajudaram a fazer com que o Japão se tornasse essa grande potência mundial que é hoje.

Os ensinamentos de Deming fazem tanto sentido, contribuíram tanto para a indústria, que eu lembro de ter utilizado vários de seus princípios quando atuei na área de gestão da qualidade, dentro da indústria. Tanto é que a minha atividade profissional de consultoria começou, justamente, em atividades ligadas ao controle e garantia da qualidade nas empresas.

Essa escola foi muito importante para mim, pois eu utilizo tudo o que aprendi naquela época como insight, e até metáfora para que as pessoas apliquem a qualidade em suas vidas e suas carreiras.

O livro “Saia da Crise” propôs a quebra de alguns paradigmas, que vinham sendo instituídos pelo jeito americano, de gerenciar as empresas no pós-guerra. Deming criticava muito o estilo americano de gestão e, por isso, mencionou os 14 pontos que considerava essenciais para que as empresas enfrentassem as crises pelas quais passavam.

Não pretendo aqui mencionar os 14 princípios defendidos por Deming, mas sim chamar a atenção para um ponto que comentei lá no começo do texto e acho que faz cada vez mais sentido:

Sair da Crise é uma decisão, pois em muitos casos, as pessoas ou empresas optaram por entrar na crise.

Sei que essa afirmação parece forte, mas quando eu digo que muitos escolheram entrar na crise, estou me referindo a uma escolha inconsciente. Uma escolha feita com base nas crenças e mapas mentais de cada pessoa, ou até de acordo com as competências e cultura organizacional de cada empresa. 

Penso que muitas pessoas ou empresas acabam entrando na crise, simplesmente, porque faltou atitude para se prevenir da crise ou para reagir prontamente a ela. A atitude para se prevenir de uma crise deve ser tomada quando as coisas estão bem. A reação deve ser tomada quando temos os primeiros indícios de que as coisas podem ficar difíceis. Se não tomarmos nenhuma destas atitudes, é como se estivéssemos fazendo uma opção pela crise.

FICHA CATALOGRÁFICA:

DEMING, William Edwards. Saia da crise: as 14 lições definitivas para controle de qualidade. São Paulo: Saraiva, 1990.

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