Uma das minhas atividades profissionais é a docência em cursos superiores de Administração. Atualmente, leciono em pós-graduação, mas por dez anos lecionei somente para cursos de graduação na área de Administração.

Essa função demandava que no início de cada semestre participássemos de reuniões acadêmicas com os demais professores e coordenadores.

Lembro muito bem que, numa dessas reuniões, um colega havia descoberto que perdera uma oportunidade para um curso de capacitação porque não havia acompanhado as comunicações internas e perdera a informação que falava a respeito.

Chateado com a situação, ele falou para a coordenação: “Acho que alguém deveria cuidar de nós, porque a essência de uma faculdade está no que acontece em sala de aula. É lá que temos que estar focados! Alguém precisa chamar nossa atenção para algumas coisas que acontecem fora daqui, para não perdermos outras oportunidades como essa que eu perdi! Quem pode cuidar de nós?”

Ele se referia ao papel dele, ao seu core business, que é ser docente. E afirmava que a estrutura administrativa em sua volta devesse ter como objetivo facilitar o seu papel para que o professor não tivesse que se preocupar com coisas que são importantes, mas que ocorrem extra-classe.

Ao relatar essa história, a intenção não é a de julgar se ele estava certo ou não, mas sim de salientar o que eu absorvi desse caso. Trazendo isso para as organizações, tem sido muito comum exigirmos que o líder desempenhe seu papel influenciador e transformador para que o ambiente de trabalho tenha as melhores condições possíveis a fim de que, no final das contas, tenhamos produtividade e excelência no que entregamos.

No entanto, em muitos lugares o líder é uma figura solitária. É alguém que tem excelentes intenções e boa capacidade, mas que recebe muito pouca ajuda das pessoas ou dos órgãos de staff que há em volta.

Em muitos lugares, os problemas diários são tantos que a expressão “apagar incêndios” é a que mais identifica a atuação de um líder. Ou seja, seu foco está em tudo, menos no ato de liderar (ouvir as pessoas, dar feedbacks, acompanhá-las, treiná-las, etc…). Afinal de contas, como diz Bill Gates: “Ao olharmos para o próximo século, os líderes serão aqueles que capacitam os outros.”

E nessa correria para dar conta de tudo que é urgente (e tudo é urgente!) passamos por cima de oportunidades, deixamos de ter insights importantes e não temos tempo para dar ouvidos às pessoas e às sugestões que poderiam contribuir em muito para a produtividade da equipe.

Embora muitos líderes sejam extremamente capacitados e produtivos, o líder está sujeito a falhas normais como toda e qualquer pessoa. Não são autossuficientes!

É por isso que alguém precisa cuidar do líder, porque caso contrário ele também irá se desestimular, fazendo com que aquele que sempre fez parte da solução acabe se tornando parte do problema.

Alguém precisa se encarregar de fazer com o líder o mesmo que ele faz com sua equipe: ouvir, acompanhar, treinar, estimular e dar bons exemplos. Líderes também precisam de liderança.

Com informações do livro “Desenvolvimento Humano, Liderança e Gestão: 50 textos para refletir, comentar e compartilhar”.

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