Você tem medo de altura ou de elevador? Medo de falar em público? Será que a gente sabe o que esses e outros medos causam em nós? Eles nos paralisam ou nos preparam? Nos fazem desistir ou nos deixam alertas?

Às vezes, fico pensando em todas essas questões e sempre chego à mesma conclusão que, na realidade, me leva a fazer outra pergunta:

O que eu faria se não tivesse medo?

É muito comum a gente admirar a coragem de determinadas pessoas. Aquela coragem que leva algumas pessoas a realizar atos de bravura. Ou a coragem necessária para enfrentar alguns desafios, que parecem estar acima da capacidade humana, como pular de paraquedas, escalar o Everest, etc.

Mas, há outro tipo de coragem que é ainda mais comum. É a coragem reservada a muitas pessoas que conhecemos e que convivem conosco. É a coragem para sair da zona de conforto, fazer algo novo e transformar os sonhos em projetos pessoais.

Creio até que esse é o tipo de coragem mais admirado, por um motivo muito simples: ela está ao alcance de todos, mas, quando tomamos coragem para realizar algo que há muito desejávamos fazer eventualmente, somos julgados, criticados, rotulados ou até ridicularizados pelo que decidimos fazer.

Na realidade, seria como dizer que nosso ato de coragem e determinação desperta um sentimento de inveja nas pessoas, que há muito desejam realizar o projeto que você fez.

É preciso ter coragem para ter esse tipo de coragem!

Também é importante deixar claro que coragem não é a ausência de medo. Coragem não é o oposto de medo. Muito pelo contrário, pois coragem e medo podem coexistir. E digo mais: quando coragem e medo coexistem em equilíbrio e harmonia, o resultado tende a ser muito bom, pois o resultado desta equação é muito claro para mim:

Coragem + medo = cautela, responsabilidade, prudência. 

Essas são características das pessoas que não hesitam em dar o próximo passo, mas que saberão sempre por onde estarão caminhando. Grande feitos da humanidade foram realizados por pessoas corajosas. Outros tantos, talvez, poderiam ter sido feitos se as pessoas não fossem medrosas ou inconsequentes, que são os dois extremos desta régua.

Mas, se o medo é algo que pode se tornar positivo, na medida em que nos deixa mais prudentes e responsáveis, qual o significado da palavra “medo” na pergunta que dá título a este texto?

Em muitos processos de Coaching que eu realizo, fica claro que a palavra “medo” é usada fora do contexto. Ela é usada para se referir às desculpas que as pessoas dão, para não fazer o que desejam ou precisam fazer. Muita gente que afirma ter medo tem, na realidade, muitas desculpas para não fazer as coisas.

Isso me faz pensar que, talvez, a pergunta correta devesse ser: o que você faria se não desse tantas desculpas? Talvez aí a gente chegaria num ponto mais profundo da questão, nos motivos que realmente nos fazem empacar no nosso estado atual.

Então, as perguntas permanecem:

  • Quais são seus medos?
  • O que eles causam em você?
  • O que você tem a perder ao se deixar dominar pelo medo?
  • O que você tem a ganhar ao superar esses medos?

Mais importante ainda: quais são as muletas mais usadas por nós? Quais são as principais desculpas? O que você faria se não desse tantas desculpas?

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