Muito se fala em zona de conforto. Ou melhor, fala-se muito mal da zona de conforto, como se fosse o lugar mais improdutivo das nossas vidas, no qual nada cresce, nada acontece e nada se transforma.

Isso é parcialmente verdadeiro, afinal é muito comum perceber pessoas que se deixam seduzir pela zona de conforto e nela permanecem por muito tempo. E acho que a expressão é justamente essa: a zona de conforto é convidativa e as pessoas tendem a gostar dela porque tudo o que acontece numa zona de conforto é previsível. E o ser humano gosta do que é previsível e resiste à mudança. É possível notar então que zona de conforto e resistência à mudança têm uma estreita ligação. Uma alimenta a outra.

Precisamos, então, refletir de forma diferente sobre a zona de conforto. Embora seja algo natural na vida das pessoas, a expressão “sair” da zona de conforto não é a mais correta. A verdade é que não saímos da zona de conforto. Nós a expandimos. A cada novo aprendizado, a cada novo feito, a cada novo desafio proposto e alcançado, passamos por algumas fases que, ao seu final, nos colocam numa nova zona de conforto, expandida, maior e melhor do que a anterior. É o que chamamos de espiral crescente de evolução.

A zona de conforto é aquele lugar em que as pessoas encontram a estabilidade temporária e necessária para se planejarem e se prepararem antes de iniciarem um novo desafio. Mesmo as pessoas mais dinâmicas e empreendedoras precisam de momentos de estabilidade. É verdade que esses momentos são breves, pois logo elas dão início a movimentos que acabam por causar a expansão da sua zona de conforto. Desta forma, segundo a teoria do psicólogo português Miguel Lucas, a expansão da zona de conforto contempla quatro etapas:           

  1. Desconforto: é a sensação inicial de incômodo que sinaliza que a inércia está sendo rompida, forçando a pessoa a fazer algo novo, diferente;
  2. Aprendizagem: é a primeira atitude da pessoa que quer “sair” da zona de conforto. É a ação de familiarizar-se com o novo e preparar-se para lidar com a nova situação;
  3. Adaptação: é quando a zona de conforto é, de fato, enfrentada e superada. A evidência de que a pessoa se encontra nesta fase é que a nova situação não causa mais desconforto;
  4. Adequação: é a inércia em novo estado, num novo patamar. É quando a pessoa expandiu sua zona de conforto e forma uma zona de conforto maior, embora saiba lidar e lide bem com as situações que outrora lhe deixavam desconfortável.

Esse processo dá trabalho e causa algum incômodo. Mas o desconforto é temporário, dado que temos uma capacidade enorme de aprendizagem e adaptação. Ou seja, pouco a pouco, o que parecia medonho, um verdadeiro trabalho de Hércules, torna-se familiar e mais fácil. E talvez você até comece a encarar isso com naturalidade.

Quando isso acontecer, significa que você “saiu” da sua zona de conforto, encarou e superou novos desafios. Mas também é verdadeiro dizer que embora estes novos desafios e hábitos tenham sido incorporados na sua rotina, você desenvolveu uma nova zona de conforto. Ou melhor, a sua zona de conforto foi expandida. E essa expansão é contínua. Assim que uma situação é superada, ela tende a ser incorporada e passa a formar a nossa nova zona de conforto. Cabe então a nós reconhecermos esta nova situação e iniciarmos um novo processo de expansão.

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