Tomar decisões pode ser uma das coisas mais corriqueiras que as pessoas realizam no seu dia-a-dia…

A maior parte das decisões que tomamos diariamente acontece inconscientemente, quase como numa espécie de “piloto automático”. São decisões de baixa complexidade, que tomamos constantemente no trabalho ou na vida pessoal.

Outras, no entanto, são mais difíceis de serem tomadas.

Decisões podem ser extremamente complexas e desafiadoras, especialmente porque envolvem incertezas e porque pensamos sempre nas consequências a curto ou longo prazo.

Nesse caso, o ato de pensar nas consequências das nossas escolhas tem mais a ver com o que pode dar errado do que com o que pode dar certo. Além disso, a escolha entre duas ou mais alternativas pode ser altamente desafiadora, pois também ficamos imaginando o que podemos perder, caso a escolha for equivocada.

Perceba que essa hesitação antes da tomada da decisão é provocada pelo nosso pessimismo, pois pensamos no que pode dar errado e no que podemos perder caso tomarmos a decisão errada.

Penso que essa é uma característica completamente natural do ser humano.

Especialistas talvez diriam que isso é fruto da nossa ancestralidade, do nosso instinto de proteção e sobrevivência e do cuidado que temos com os outros. O fato é que, independentemente do motivo, muitas pessoas tendem a protelar a tomada de decisões sem se darem conta de que, ao decidirem não decidir, já tomaram uma decisão.

Trocando em miúdos, significa dizer que o ato de decidir já é uma decisão. 

Por muito tempo, eu me vi na situação da pessoa que preferia não tomar as decisões complexas que eu tinha que tomar. Tinha o hábito de esperar que as coisas se resolvessem por si só, para que eu não tivesse que me envolver no processo de ter que fazer a escolha. Mas, graças ao autoconhecimento (e muita terapia!), acabei descobrindo que o meu problema em relação à tomada de decisão tinha dois fatores importantes:

  • Meu problema não era definir qual alternativa escolher, mas sim como lidar com as alternativas que não foram escolhidas.

Significa que eu precisei entender que cada escolha é uma renúncia, e que eu ficava angustiado com o que poderia acontecer com as pessoas ou situações que eu renunciaria.

  • As coisas se resolvem por si só, mas não do jeito que eu gostaria que fosse!

Me dei conta que o tempo ou o Universo nem sempre resolverão as coisas do jeito que eu gostaria, ou seja, eu estava colocando nas mãos de outros as decisões sobre coisas importantes para a minha vida. Descobri que para que as coisas caminhem para um resultado desejado, as decisões envolvidas têm que ser tomadas por mim.

Descobri também que o momento pós-decisão é muito importante, porque a tomada de decisão inicia outro desafio que cabe a quem decidiu: agir ou hesitar.

Muito embora pareça não haver dilema nessa situação, cada decisão tomada implica necessariamente em uma ação, que faz com que a decisão tomada seja efetivada. Por isso que, logo depois de tomarmos uma decisão, é muito importante que ações aconteçam para colocarmos em prática a decisão tomada e para neutralizar as chances de hesitação.

A hesitação é uma das maiores armadilhas do processo de tomada de decisão, pois, mesmo que a pessoa faça a escolha, de nada adiantará se ela hesitar diante das ações necessárias para fazer com que sua decisão seja colocada em prática.

E, quando decidimos agir, quando a decisão tomada é aquela que irá quebrar o paradigma e romper a zona de conforto, se inicia uma caminhada que, na realidade, pode representar uma espiral crescente de evolução até atingir o estado desejado.

Pior do que não decidir é deixar a vida te levar e lamentar pelas oportunidades perdidas, pelo fato das coisas não terem tido o desfecho que você desejava e pela sensação de impotência diante das coisas que acontecem. E pior ainda é saber que tudo poderia ser diferente e não se dar conta que esse processo se repete e que outras oportunidades de tomada de decisão surgirão em sua vida!

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2 comentários

  1. Perfeita reflexão. O fantasma do “e se não der certo? “ poda muitas decisões que depois se voltam em forma de lamentação.

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