É pequena a distância que separa o cérebro, que formula nossos pensamentos, da nossa boca, que divulga nossos pensamentos para o mundo.

Claro que esta é uma metáfora, até porque, hoje em dia, falamos muito mais pelo teclado do nosso computador ou telefone, do que pela boca. Divulgamos nossos pensamentos e opiniões, muito mais, por meio das redes sociais do que em voz alta.

Por isso que é tão fácil e tentador usarmos o celular ou o computador para expressarmos coisas que nem sempre são positivas e construtivas. Mais fácil ainda, porque podemos nos “esconder” atrás desses equipamentos. Afinal, assim não precisaremos falar o que pensamos, olhando nos olhos das pessoas que criticamos.

Essa é a síndrome do cachorro que late atrás do portão

Já reparou que, quando você caminha na rua, a sua passagem sempre vai despertar a atenção de um cachorro, que late protegido pelo portão que separa a rua da casa em que vive? Só que, muitas vezes, quando o portão se abre o cachorro é o primeiro a sair correndo para dentro de casa para procurar abrigo, refúgio e segurança.

E nesse mundo de redes sociais, de falar o que pensa, tem muita gente que se assemelha ao cachorro que late atrás do portão. Por isso, gosto muito da frase do ex-presidente americano Abraham Lincoln:

“É melhor ficar calado e deixar que os outros pensem que você é um imbecil do que abrir a boca e não deixar dúvidas a respeito.”

O mundo tem sido um palco utilizado para julgamentos

A todo momento julgamos e somos julgados e, quanto mais falamos, mais deixamos margem para as pessoas formarem opiniões a nosso respeito. E o que separa a imagem positiva da negativa está, justamente, no que expressamos. Por isso, o nosso maior desafio é saber filtrar aquilo que pode e deve ser falado.

Digo isso porque, já que é extremamente difícil dominar nossos pensamentos, deveríamos, então, dominar o que falamos para o mundo. Mas, isso é desafiador, eu sei… Só que esse autocontrole é importante, pois pensamentos têm força e podem promover ou destruir muitas coisas. E as palavras têm uma força ainda maior e, podem trazer ainda mais benefícios ou problemas. Este é um dos motivos que fazem do autocontrole algo tão importante.

O autocontrole está diretamente ligado ao nosso livre-arbítrio, pois o que dispara a nossa “necessidade” de falarmos o que pensamos está ligado, na realidade, ao que queremos causar com o que expressamos. Se desejamos contribuir positivamente com uma discussão, devemos falar. E se temos algo que, verdadeiramente, pode ajudar e levar alguma luz onde predomina a ignorância, temos que falar.

No entanto, quando queremos falar somente por falar, para ouvir o som da nossa própria voz ou para aumentar ou criar discussões, deveríamos ficar calados. A frase de Dalai Lama certamente explica melhor esse pensamento:

“Responder à ofensa com ofensa é lavar a alma com lama. O silêncio é um dos argumentos mais difíceis de se rebater.”

Se estamos em uma conversa que não deveria prosperar, então ela não deve continuar. Se considerarmos que um pensamento não deveria ter se formado em nossa mente, devemos nos manter em silêncio. Assim, certamente, contribuiremos para criar uma sociedade mais pacífica e lugares melhores para vivermos e trabalharmos.

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