Eu esperei muito tempo para ler esse livro. Passaram-se quatro anos desde o lançamento até o dia em que eu finalmente comecei a ler essa obra. Mas, não demorei todo esse tempo por uma questão de resistência, orgulho ou prepotência minha. A verdade é que, logo quando foi lançado, o livro foi para o topo da lista dos best-sellers – inclusive no Brasil.

Vários amigos meus leram esse livro logo no seu lançamento e eu lembro que todos falavam muito bem dessa obra. Mas, também me alertavam quanto ao seguinte: o livro fala muito sobre religiões, capitalismo, revoluções industriais e outros assuntos. Eles avisavam que seria bom ter algum conhecimento sobre esses temas para aproveitar melhor o livro.

Eu acabei lendo sobre todos esses temas. Não com o objetivo de me preparar para ler “Sapiens”, mas sim porque são temas recorrentes nas minhas leituras e é sobre esses temas que eu também gosto de escrever. Só que quando eu comecei a ler “Sapiens”, observei que a dica dos meus amigos fazia sentido, pois o conhecimento dos temas que eu citei no parágrafo anterior me ajudou a aproveitar melhor o livro.

O motivo é simples. O autor fala sobre a trajetória da humanidade numa linha do tempo gigantesca, que começa há cerca de 100 mil anos. Ele fala que as Revoluções Industriais que tanto citamos nos dias de hoje (leia-se, principalmente, a Indústria 4.0) são oriundas de processos muito antigos, verdadeiras revoluções que ocorreram muito antes das revoluções industriais. Ele cita três movimentos principais:

  • Revolução cognitiva: mutações genéticas que ocorreram ao longo de milhares de anos permitiram o surgimento de novas formas de pensar e de se comunicar, que fizeram com que o ser humano começasse a consumir, processar e a armazenar uma quantidade altíssima de informações. Isso ocorreu por volta de 70 mil anos a.C.;
  • Revolução agrícola: é a passagem do ser humano nômade (caçador e coletor) para um ser humano fixo a um lugar. Essa mudança levou à domesticação de animais e ao aumento da produção de alimentos. Só que esse aumento da produção teve efeitos colaterais importantes, que observamos até hoje: explosões populacionais e o surgimento de elites favorecidas;
  • Revolução científica: na realidade, o autor afirma que essa era deveria se chamar de “Revolução da Ignorância”, porque é a falta de conhecimento que move a humanidade até hoje. Foi a vontade de buscar respostas científicas para as questões eternas da humanidade que fez com que o ser humano desenvolvesse tecnologias e métodos que nos permitem encontrar várias respostas e, também, várias outras perguntas.

É um livro para ser lido! Mas não se preocupe com aquilo que eu comentei sobre a necessidade de conhecer sobre religiões, capitalismo, revoluções industriais para ter que ler “Sapiens”, pois a obra é escrita de uma forma bem acessível, didática e rica em exemplos que nos ajudam a entender que estamos em uma jornada evolutiva muito antiga, que continuará por muito tempo.

FICHA CATALOGRÁFICA:

HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. Porto Alegre: L&PM, 2015.

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