O livro é relativamente antigo. O tema, mais ainda. Há pouco mais de 30 anos, o escritor americano se tornava mundialmente conhecido por escrever um dos livros mais simples e profundos sobre liderança.

O Monge e o Executivo ganhava vida nas mãos dos leitores que encontraram na abordagem criativa do autor uma forma diferente de entender alguns conceitos sobre liderança.

O livro é uma ficção. Conta a história de um executivo que decidiu ir para uma espécie de retiro espiritual num mosteiro. Esse retiro seria conduzido por um empresário muito bem-sucedido que anos antes havia decidido largar tudo para se dedicar à vida monástica e, principalmente, a compartilhar sua experiência e conhecimentos sobre liderança com quem estivesse disposto a passar alguns dias mergulhado em conversas e reflexões importantes sobre a vida e a carreira.

Nenhum dos presentes naquele retiro se conhecia. Eram todos estranhos, com diferentes histórias de vida, diferentes experiências, objetivos e personalidades.

Logo no início, os participantes do retiro constatam que, para que descubram os segredos da liderança será preciso que se descubram como pessoas.

E nesse ponto eu me permito fazer um adendo, pois a palavra “descobrir” faz muito sentido no livro na medida que cada participante do retiro precisava se des/cobrir, ou seja, tirar aquilo que os cobria a fim de se expor para os demais.

Esses conflitos são oriundos do ceticismo dos participantes, que custam a dar crédito aos ensinamentos do experiente executivo que se tornou monge e que está conduzindo o grupo.

O ceticismo se reflete na dúvida que algumas pessoas têm com relação ao novo e o livro traz inúmeras situações que geram controvérsia entre os participantes, levando-os a fazer aquela velha e famosa expressão: “Mas eu sempre fiz assim!”

Quebras de paradigmas, ressignificação de conceitos e uma descoberta importante: para ser um bom líder é preciso, antes de mais nada, ser uma boa pessoa!

Pode ser que, para os ouvidos de muitos, essa afirmação seja um tanto óbvia, mas ela deixa uma mensagem retumbante em nossa mente: a forma como nos comportamos em nossa vida pessoal irá moldar a forma como lideramos as nossas equipes.

Penso que a lição principal do livro está em adicionar uma característica nova ao perfil da liderança: o servir! É claro que essa palavra precisa ser colocada num contexto e o livro sabiamente nos informa que o líder está a serviço das pessoas quando é um facilitador, quando é aquele que dotará a sua equipe das melhores condições para trabalhar e viver na organização.

Aliás, vale dizer que o conceito de liderança somente faz sentido quando nos referimos a pessoas, pois máquinas e processos não precisam ser liderados e sim gerenciados. Talvez seja essa a grande mensagem do livro.

Se você ainda não leu, recomendo a leitura. Se já leu, recomendo que leia novamente. Esse é o tipo do livro que traz um novo ensinamento cada vez que folheamos suas páginas.

FICHA CATALOGRÁFICA:

HUNTER, James. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. São Paulo: Sextante, 1988.

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