Transcrição do episódio "269 – Soft Skills vs. Hard Skills – O Novo Equilíbrio"
Olá, pessoal! Meu nome é Fabiano Goldacker. Sou Coach Executivo da Ponte ao Futuro.
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Soft Skills x Hard Skills
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Imagine dois profissionais diante do mesmo desafio. O primeiro conhece profundamente os processos da empresa. Domina ferramentas, indicadores, sistemas, legislação e técnicas relacionadas à sua área. É tecnicamente excelente. Porém, quando precisa apresentar uma ideia, tem dificuldade para se comunicar e se relacionar. Quando recebe uma crítica, reage mal. Quando surge um conflito, prefere evitá-lo. E quando precisa liderar pessoas, descobre que conhecimento técnico não é suficiente.
O segundo profissional é comunicativo, empático, sabe ouvir, consegue estabelecer boas relações e demonstra facilidade para trabalhar em equipe. As pessoas gostam de trabalhar com ele. Entretanto, quando precisa analisar um indicador, interpretar um relatório financeiro ou tomar uma decisão baseada em dados, sente-se inseguro. Falta-lhe conhecimento técnico para transformar suas boas intenções em resultados.
Nesse momento, eu pergunto a você: qual deles é o melhor profissional? A resposta é: nenhum dos dois, pois nenhum deles está completo.
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Essa história ajuda a compreender um dos grandes desafios do mundo do trabalho contemporâneo: a necessidade de equilibrar hard skills, que são as competências técnicas, com as soft skills, que são as competências comportamentais. Durante muito tempo, a competência profissional esteve associada principalmente ao domínio técnico. Saber fazer era suficiente para ser considerado um bom profissional. Entretanto, à medida que as organizações se tornaram mais complexas, colaborativas e dependentes do conhecimento, ficou evidente que saber fazer alguma coisa não significa necessariamente saber trabalhar com outras pessoas, resolver problemas, liderar, negociar ou tomar decisões. É nesse ponto que entram as chamadas soft skills.
E aqui eu tenho que abrir parênteses e fazer um mea culpa para o ouvinte do Coachitório Online, pois muito embora aqui neste podcast sobre pessoas, carreira e liderança eu já tenha falado bastante sobre comportamento, essa é a primeira vez que eu falo diretamente ou exclusivamente sobre hard skills e soft skills. O insight para abordar este tema hoje veio do episódio #258, no qual falamos sobre liderança ou especialização, ou seja, a famosa carreira em Y. Então eu aproveito para lhe sugerir que ouça também o episódio #258 porque é um tema que conecta bem com o que estamos falando aqui hoje.
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Mas, voltando ao tema central, talvez você esteja se perguntando o que são, afinal de contas, as hard skills? As hard skills são competências técnicas que podem ser aprendidas, desenvolvidas e, em muitos casos, mensuradas ou certificadas. São conhecimentos e habilidades diretamente relacionados ao exercício de uma determinada função. Por exemplo: um contador precisa conhecer contabilidade, legislação tributária e demonstrações financeiras. Um engenheiro precisa dominar conceitos de engenharia. Um profissional de tecnologia precisa conhecer linguagens, sistemas ou ferramentas. Um gestor financeiro precisa compreender orçamento, fluxo de caixa e indicadores econômicos.
As hard skills englobam o conhecimento técnico que temos, as competências que elencamos quando precisamos responder à seguinte pergunta: “O que você sabe fazer?” Cursos, graduação, especializações, certificações, treinamentos e experiências profissionais são importantes mecanismos para desenvolver hard skills. Mas existe uma questão fundamental: o domínio técnico não garante, sozinho, o desempenho profissional. Digo isso porque é possível encontrar um excelente especialista que não consegue explicar aquilo que sabe. Um gestor que conhece profundamente os processos, mas não consegue desenvolver sua equipe. Um vendedor que domina o produto, mas não consegue compreender o cliente.
É aí que precisamos falar sobre soft skills. As soft skills estão relacionadas às competências comportamentais, relacionais e socioemocionais que permitem ao indivíduo utilizar seus conhecimentos de maneira eficaz nas diferentes situações do trabalho. Comunicação, inteligência emocional, capacidade de trabalhar em equipe, liderança, empatia, negociação, pensamento crítico, adaptabilidade, criatividade e capacidade de resolver conflitos são exemplos de competências que usamos para responder a uma pergunta diferente: “Como você utiliza aquilo que sabe quando está interagindo com pessoas e enfrentando situações reais?”
E aqui está uma das grandes mudanças no que chamamos hoje em dia de trabalho: não basta saber, é necessário saber aplicar e, principalmente, saber aplicar em ambientes nos quais existem outras pessoas, interesses diferentes, pressão, conflitos, mudanças, incertezas e limitações.
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Só que o que mais me incomoda é que as hard skills e as soft skills costumam ser apresentadas como se fossem duas coisas antagônicas, como se você tivesse que escolher entre ser bom em termos técnicos ou ser bom em termos comportamentais. É como se fosse uma escolha ou um dilema. Mas, de antemão, já aviso o ouvinte do Coachitório Online: esse dilema é falso. A verdadeira questão não é decidir se uma competência é mais importante que a outra, mas compreender como elas se complementam.
Imagine só um médico. Seu conhecimento técnico é indispensável. Ele precisa conhecer anatomia, fisiologia, diagnóstico, tratamentos e medicamentos. Mas imagine que esse mesmo médico tenha dificuldade para ouvir o paciente, seja incapaz de demonstrar empatia e não consiga explicar adequadamente um diagnóstico. Seu conhecimento técnico continua existindo, mas sua capacidade de produzir uma experiência positiva e estabelecer uma relação de confiança estará comprometida. Aliás, qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência.
Agora pense no inverso: um profissional extremamente empático, comunicativo e acolhedor, mas sem conhecimento médico suficiente. A situação seria igualmente problemática. A competência profissional nasce justamente da combinação do lado técnico e do lado comportamental. As hard skills dão capacidade técnica e as soft skills permitem transformar essa capacidade em resultado por meio das relações e das decisões.
Mas eu quero citar um exemplo um pouco mais próximo do nosso dia a dia, um exemplo de dentro das organizações. Pense em um gerente que precisa apresentar para a diretoria uma proposta para reduzir custos. Ele precisa conhecer os números, precisa compreender o processo, precisa analisar indicadores. Tudo isso é hard skill. Mas ele também precisará organizar suas ideias, apresentar argumentos, responder perguntas, lidar com objeções e defender sua proposta. Aqui entram as soft skills, pois se alguém questionar sua proposta, ele precisará controlar suas emoções. Se houver discordância, precisará negociar. Se sua equipe for impactada pela mudança, precisará comunicar adequadamente.
Perceba então que, na prática, hard e soft skills acontecem simultaneamente.
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É mais fácil mesmo compreender essa relação observando situações concretas. Por isso vou listar mais alguns exemplos de situações que eu já vivenciei ao longo da minha carreira. Em cada uma delas foi necessário equilibrar o lado técnico e o comportamental.
Uma das situações é dar feedback a um colaborador. O líder precisa conhecer os critérios de desempenho, indicadores e resultados. Isso é competência técnica. Mas também precisa saber conversar, ouvir, demonstrar respeito e conduzir uma conversa difícil. Isso é competência comportamental. Assim, a hard skill é o conhecimento sobre avaliação de desempenho, ao passo que a soft skill é a comunicação, inteligência emocional e empatia.
Outra situação tem a ver com resolução de conflito entre dois funcionários. Quase nunca acontece, né? O líder precisa compreender as regras, políticas e responsabilidades envolvidas. Mas conhecer as regras não significa saber conduzir o conflito. Será necessário escutar os envolvidos, identificar interesses, controlar emoções e buscar uma solução. Nesse caso, a hard skill é o conhecimento dos processos e políticas organizacionais e a soft skill: negociação, comunicação e inteligência emocional.
Há também os casos em que precisamos negociar com um cliente. Conhecer o produto, margem, preço e condições comerciais é fundamental. Mas o vendedor também precisa compreender o cliente, fazer perguntas, ouvir, negociar e construir confiança. Assim, a hard skill é representada pelo conhecimento do produto e do negócio e a soft skill pela minha capacidade de negociação, comunicação e relacionamento.
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Então perceba que há várias situações do cotidiano em que precisamos equilibrar bem as duas competências. Só que muita gente acaba perguntando por que desenvolver apenas um dos lados pode ser um problema. Para responder isso, veja o seguinte: quando uma organização valoriza excessivamente as hard skills, pode criar profissionais tecnicamente excelentes, mas incapazes de estabelecer relações produtivas. Quando valoriza exclusivamente as soft skills, pode produzir ambientes agradáveis, mas sem competência técnica suficiente para alcançar os resultados necessários.
Por isso, existe uma espécie de equação da competência profissional, que nos ensina o seguinte: conhecimento sem comportamento pode não gerar resultado. Comportamento sem conhecimento pode não gerar competência. Mas conhecimento somado ao comportamento gera capacidade de transformar conhecimento em resultado. Essa discussão é especialmente importante quando falamos de liderança. O líder precisa aprender a delegar, dar feedback, administrar conflitos, desenvolver pessoas, comunicar decisões e lidar com suas próprias emoções. É uma mudança significativa porque ele deixa de ser avaliado apenas pelo que consegue fazer individualmente e passa a ser avaliado também pelo que consegue fazer por meio das outras pessoas.
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Fala, galera do Coachitório Online.
Durante muito tempo, era comum promover para a liderança aquele profissional que apresentava excelente desempenho técnico. Assim, o melhor vendedor tornava-se gerente de vendas, o melhor operador tornava-se supervisor e o melhor analista tornava-se coordenador. Mas existe uma pergunta que muitas organizações esqueceram de fazer:
“Ser excelente na execução significa estar preparado para liderar quem executa?” Muitas vezes a resposta é não, pois liderar exige novas competências, que, na maioria das vezes, estão do lado das soft skills.
Mas eu quero ouvir você! Como está o seu equilíbrio entre as competências técnicas e as comportamentais? Ficarei feliz em escutar os seus comentários. Se preferir, pode escrever para fabiano@ponteaofuturo.com.br Te faço também um pedido: escolha um episódio do Coachitório Online para compartilhar com seus amigos, nas suas redes sociais e lembre-se de apertar o botão para seguir o nosso podcast. Vamos aumentar o número de pessoas que está nos acompanhando nessa jornada.
Encontro você no próximo episódio! Um abraço!