• 10ª Temporada
  • Temas Relevantes para Carreiras Importantes 2026

  • É fundamental estarmos atualizados e termos à disposição informação e conhecimento que ajudem a nossa vida pessoal e profissional. Esse ponto foi determinante para elegermos a temática da décima temporada do Coachitório Online. Na nova temporada, iremos trazer conteúdos atualizados sobre pessoas, carreira e liderança. Iremos falar sobre inteligência artificial, conhecimento, liderança, saúde mental e vários outros tópicos importantes, sempre cuidando para que cada episódio provoque algumas reflexões que vão ajudar no desenvolvimento da sua vida pessoal e profissional.

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265 – Conhecimento na Era Digital

A maior confusão que podemos cometer nos dias de hoje é achar que tudo o que vemos, lemos ou assistimos – principalmente na internet – é conhecimento. É comum ouvirmos pessoas dizerem que a internet facilitou o acesso ao conhecimento ou que é mais fácil obter o tal do conhecimento. Verdade seja dita: nunca tivemos tanto acesso à informação, mas nunca foi tão difícil distinguir o que é verdade do que não é; o que é útil do que é inútil e o fato relevante da irrelevância. Assim, fica a pergunta: como aprender em um mundo tão cheio de ruídos?

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Transcrição do episódio "265 – Conhecimento na Era Digital"

Olá, pessoal! Meu nome é Fabiano Goldacker. Sou Coach Executivo da Ponte ao Futuro.

Conhecimento na era digital 

Durante grande parte da história humana, o conhecimento era escasso. Livros eram raros, universidades eram restritas e o acesso ao aprendizado dependia de onde você morava, da disponibilidade de escolas ou universidades, de recursos financeiros e estruturas sociais que apoiassem os estudos. Mas tudo mudou e os dias de hoje nos trazem uma contradição muito curiosa: nunca tivemos tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil distinguir o que é verdade do que não é; o que é útil do que é inútil e o fato relevante da irrelevância. Vivemos em um mundo abundante em informações e também em desinformações e, assim, fica a pergunta: como aprender em um mundo tão cheio de ruídos? 

O episódio de hoje do Coachitório Online vai conversar sobre algo que representa um dos maiores desafios da nossa época: o conhecimento. Não os dados, tampouco a informação ou os conteúdos de caráter duvidoso que aparecem o tempo todo nas redes sociais. Vamos falar sobre conhecimento verdadeiro, sobre aprendizado e desenvolvimento intelectual em um mundo cada vez mais acelerado, digitalizado e distraído. Vamos ver que informação e conhecimento são coisas distintas e que o mundo digitalizado não necessariamente traz para nós o que precisamos, de fato, aprender.

Vamos começar justamente por esse ponto: a trilha do conhecimento. A maior confusão que podemos cometer nos dias de hoje é achar que tudo o que vemos, lemos ou assistimos – principalmente na internet – é conhecimento. É comum ouvirmos pessoas dizerem que a internet facilitou o acesso ao conhecimento ou que é mais fácil obter o tal do conhecimento. Isso é apenas parcialmente verdadeiro, pois o que os meios digitais trazem para nós é uma abundância de dados e informações, mas não necessariamente o conhecimento. Isso ocorre porque desconhecemos o fato de que existe uma trilha a ser percorrida até que algo se transforme em conhecimento. Essa trilha é representada pelo tripé dado, informação e conhecimento.

Tudo começa com os dados. Dados são a matéria-prima da informação. São registros brutos, fatos, números ou símbolos que, sozinhos, não possuem significado claro ou contexto. Eles são abundantes em todos os meios em que vivemos e, dentro de uma empresa, por exemplo, podem ser representados pelos indicadores de desempenho e por todas as variáveis que medimos e controlamos diariamente. Mas perceba que o dado é algo de pouco significado se não tivermos uma utilidade para ele. A utilidade dos dados começa a surgir quando eles são organizados, processados e interpretados. Se tornam úteis quando começam a nos dizer algo relevante e é nesse momento que os dados se transformam em informação. Informação é, então, algo relevante para uma ação ou tomada de decisão.

Vou procurar exemplificar: no momento em que escrevo esse texto, a temperatura externa está em 11 graus e o tempo está bem fechado. Olhei a previsão do tempo, que diz que irá chover ainda hoje. Veja que esses são, apenas, dados a respeito do tempo e esses dados são os mesmos para todas as pessoas que moram na minha região, ou seja, os dados da previsão do tempo são iguais para milhares de pessoas. Se eu decidir ficar o dia todo em casa, esses dados provavelmente irão alterar muito pouco a minha rotina. Mas os dados começam a ter relevância caso eu tiver que decidir se vou, por exemplo, botar ou não a roupa para lavar, ou se decido ir correr ou caminhar na rua, ou ainda se tiver que sair e andar de moto. Caso eu esteja em um destas condições, a previsão do tempo deixa de ser apenas um dado e passa a ser uma informação, porque traz relevância para a minha tomada de decisão.

O dado se transforma em informação quando é organizado, analisado e passa a fazer sentido para as pessoas. O passo seguinte é transformar a informação em conhecimento e isso ocorre quando entendemos o “porquê” e o “para quê” aquela informação serve, filtrando o que realmente importa. A informação se torna conhecimento quando ela se conecta com a nossa realidade, gera aprendizado e, principalmente, quando você o coloca em prática a informação que gerou aprendizado, seja resolvendo um problema, mudando um comportamento ou ensinando alguém. 

Só que o detalhe mais interessante desta trilha é que o dado geralmente é algo muito estático em seu significado. Para explicar melhor, vou recorrer novamente à questão da previsão do tempo. Quando eu falei que está fazendo 11 graus lá fora, me refiro a uma informação muito objetiva e não interpretativa. Não falei que está frio. Apenas citei a temperatura e a previsão de que irá chover. Para que esse dado se transforme em informação, é preciso que eu conecte a um contexto particular e é nesse momento que o dado passa a ter relevância diferente para as pessoas, pois depende do contexto de cada um. Para o motociclista, a previsão do tempo é muito mais relevante do que para a pessoa que não sai de casa.  

Isso nos leva para outra questão: uma informação somente é promovida a conhecimento quando nossas capacidades cognitivas permitirem. Em termos mais simples, quando minha inteligência analítica ou emocional e minha capacidade de raciocínio lógico permitirem que eu aprenda algo com aquela informação que está diante de mim. O que eu vou dizer parece cruel, mas precisa ser dito: para muita gente – infelizmente, um número cada vez maior de pessoas – a internet ou as redes sociais não trazem conhecimento. No máximo, trazem informação, pois pessoas que não estudam, não leem e não têm o hábito de botar o cérebro para funcionar não conseguirão transformar aquelas informações em conhecimento porque conseguem aprender muito pouco com aquilo e, pior ainda, não têm condições de questionar a veracidade e até a importância do que estão vendo.

Talvez seja por isso que você já tenha presenciado aquela situação dentro da empresa em que uma pessoa não consegue entender ou interpretar uma mensagem, um email. Talvez seja por isso que, apesar da abundância de informações que os BIs, ERPs e relatórios nos trazem, tem gente que tem uma dificuldade gigantesca para entender o que aquelas informações significam. Talvez seja por isso que temos uma abundância de analistas que não conseguem analisar, de assistentes que só assistem e de líderes que não sabem que decisões tomar diante de determinadas situações. Tudo isso porque vivemos em uma era em que sobram dados, fake News e coisas inúteis e falta inteligência e capacidade cognitiva para aprender o que de fato precisa ser aprendido.

Bom, depois desse desabafo todo parece ter ficado claro que informação não é conhecimento e esse é, na minha opinião, um dos pontos mais importantes da nossa época. Muitas pessoas acham que estão aprendendo quando estão, na realidade, apenas consumindo conteúdo. Tem uma enorme diferença entre ver um vídeo ou ler uma postagem e desenvolver pensamento crítico sobre o que viu ou o que leu. Conhecimento exige profundidade, reflexão, conexão entre ideias e tempo de maturação intelectual e é justamente isso que o ambiente digital muitas vezes dificulta. Aliás, por falar em maturação intelectual, vamos chegar agora ao ápice do conhecimento: a experiência.

Experiência é o nome que damos ao conhecimento tácito, que é o conhecimento não escrito e que desenvolvemos ao longo do tempo. O conhecimento gera experiência quando é aplicado na prática, transformando teoria em vivência. Esse processo ocorre quando absorvemos o que lemos ou estudamos, colocamos em prática o que aprendemos e refletimos sobre os erros e acertos do que fizemos. Esse processo cria o que chamamos de aprendizado consolidado ou, em outros termos, a experiência. A experiência pode vir com a idade, mas, para que venha, é preciso que a pessoa tenha aprendido coisas ao longo da vida, colocado em prática o que aprendeu e ter refletido e aprendido com os erros. As pessoas que têm idade, mas que não fizeram nada disso, não são experientes. São apenas velhas.

Sei que novamente isso pode parecer cruel, mas é preciso dizer que muita gente vive vários anos sem ter refletido sobre seus erros e mudado seus comportamentos e atitudes, ou mesmo sem ter aprendido algo de relevante ou compartilhado o que aprendeu. Por outro lado, há pessoas mais jovens que já aprenderam, praticaram, erraram, refletiram e mudaram, o que faz com que sejam experientes, embora ainda sejam jovens.

 No entanto, ainda há tempo, ou melhor, sempre há tempo para melhorarmos nosso conhecimento. Para isso, é imprescindível entendermos que existe uma diferença profunda entre consumir algo inútil ou irrelevante e transformar-se por meio do conhecimento. O conhecimento verdadeiro muda nossa forma de pensar, nossa visão de mundo, melhora nossas decisões e nossos comportamentos. Só que, para isso, é preciso disposição para sairmos da superficialidade.

Fala, galera do Coachitório Online. 

Sei que nesse momento você talvez esteja se perguntando se esse conteúdo, o Coachitório Online, cai na vala comum de conteúdos irrelevantes ou se representa algo transformador, que pode ajudar na formação do seu conhecimento. Em resposta, te digo: se você chegou ao ponto de fazer essa reflexão, parabéns! Significa que você tem senso crítico e que tem cancha para fazer esse tipo de análise e que, qualquer que for a sua decisão em relação a esse conteúdo, ela será bem feita.

Logicamente eu espero que você opte por continuar conosco sempre. Por isso, te faço um pedido: 

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Também quero lhe dizer que esse episódio termina, mas o assunto não acabou. Por ser um tema amplo, com vários desdobramentos, já deixo avisado de antemão que o próximo episódio do Coachitório Online vai abordar esse tema sob uma ótica ainda mais voltada para as nossas carreiras.

Encontro você no próximo episódio! Um abraço!