Transcrição do episódio "263 – Inteligência Emocional para a Liderança"
Olá, pessoal! Meu nome é Fabiano Goldacker. Sou Coach Executivo da Ponte ao Futuro.
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Inteligência emocional para a liderança
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No episódio anterior do Coachitório Online falamos sobre os indicadores do mercado de trabalho brasileiro em 2026. Falei de alguns números que são relevantes porque permitem que a gente entenda melhor a origem de alguns desafios que as empresas e as lideranças têm precisado enfrentar. Aliás, já tem algum tempo em que eu me deparo com a insatisfação e até frustração por parte dos líderes no que diz respeito às altas taxas de rotatividade, à falta de qualificação da mão-de-obra e, principalmente, à falta de comprometimento, profissionalismo, equilíbrio emocional e até de vontade de parte das pessoas que fazem parte das suas equipes.
Embora tanto os indicadores de desempenho e o estado atual da mão-de-obra sejam temas sobre os quais eu goste muito de falar, não é sobre isso que vamos falar hoje no Coachitório Online. Ou melhor, não é diretamente sobre isso. No episódio de hoje vamos usar os indicadores do mercado de trabalho que falamos no episódio anterior como pano de fundo para abordarmos algo essencial para que as lideranças saibam lidar melhor com toda essa situação relacionada à mão-de-obra. Vamos falar sobre inteligência emocional.
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A inteligência emocional é uma competência que não aparece no currículo, não está descrita nos processos formais da empresa, mas que, sutilmente, determina o sucesso ou o fracasso de um líder. A inteligência emocional é a capacidade de identificar, compreender e gerenciar as próprias emoções e as dos outros, direcionando-as para o sucesso pessoal e profissional, em vez de ser dominado por elas. Trata-se de uma abordagem desenvolvida pelo psicólogo americano Daniel Goleman, que, em meados dos anos 1990, publicou os pilares principais do que ele viria a chamar de inteligência emocional.
Os pilares da inteligência emocional são o autoconhecimento (reconhecer e nomear as próprias emoções quando surgem, entendendo gatilhos), o controle emocional (gerenciar emoções intensas, mantendo o equilíbrio e evitando reações impulsivas, em vez de reprimi-las), automotivação (utilizar as emoções para se motivar a atingir metas, persistir apesar de frustrações), a empatia (reconhecer e compreender as emoções das outras pessoas, colocando-se no lugar delas) e as habilidades sociais (gerenciar relacionamentos de forma saudável, comunicando-se bem e resolvendo conflitos).
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A abordagem de Daniel Goleman era inovadora porque naquela época vivíamos fortemente sob os efeitos do materialismo, que fazia com que as pessoas focassem muito em sua carreira, em longas jornadas de trabalho e em ambientes que geravam um estresse e um prejuízo importante para a saúde mental. Goleman defendia que desenvolver a inteligência emocional era crucial para melhorar a saúde mental, aumentar a resiliência diante de desafios, construir relacionamentos saudáveis e impulsionar o sucesso profissional. O desenvolvimento da inteligência emocional permitiria gerenciar emoções, reduzir estresse, aumentar a empatia e tomar decisões mais conscientes e assertivas.
Embora a inteligência emocional enquanto teoria seja relativamente recente, há muito tempo já se fala da importância dos componentes emocionais no trabalho. Um dos exemplos mais citados é o clássico experimento de Hawthorne, liderada pelo psicólogo e sociólogo Elton Mayo na fábrica da Western Electric, nos EUA. Esse experimento demonstrou que fatores psicológicos e sociais, como atenção do líder às pessoas, influenciam mais a produtividade do que condições físicas. O experimento mostrou que o simples fato de mostrar que havia interessa pela condição dos operários, incentivava-os a se interessar pelo trabalho. Aliás, como curiosidade, em 2026 estamos completando o centenário da publicação dos primeiros resultados do experimento de Hawthorne.
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Mas embora esse olhar sobre o aspecto teórico da inteligência emocional seja importante, hoje eu prefiro falar sobre esse tema no contexto real, atual e desafiador, de acordo com o que a gente encontra no dia-a-dia das organizações. Um contexto marcado por alta rotatividade e relações profissionais cada vez mais complexas. Imagine a seguinte situação: você lidera uma equipe, investe tempo no desenvolvimento de pessoas, alinha expectativas, é cobrado por elas e, de repente, alguém pede desligamento.
Daí a área de Recursos Humanos se põe em ação e contrata outra pessoa para substituir a que saiu. Mas, sem aviso, outro pede demissão. Depois, outro. E mais outro. A equipe muda muito, a dinâmica de trabalho muda bastante, a energia do grupo muda e você, como líder, percebe que precisa começar de novo. Aliás, percebe que esse “começar de novo” acontece muitas vezes, mais do que você dá conta. Significa que esse cenário não é mais uma exceção, e sim uma nova regra.
Mercados mais dinâmicos, novas gerações, diferentes expectativas sobre trabalho, várias culturas diferentes misturadas… Tudo isso contribui para um ambiente onde as relações são mais fluidas e menos permanentes, o que torna a liderança um exercício bem mais amplo do que tomar decisões e exige do líder uma competência que vai muito além da técnica. Exige equilíbrio emocional, para que o líder saiba lidar com as emoções próprias e as emoções dos outros.
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Eis que surge, então, o primeiro desafio: lidar consigo mesmo. Em ambientes de alta rotatividade, o líder enfrenta pressões constantes para cumprir as metas. Mas aí ele tem que lidar com a perda de talentos, o que faz com que a equipe fique instável e que impacta de forma direta e negativa a eficiência e a produtividade. Por outro lado, a necessidade de resultados faz com que o próprio líder se cobre por não estar conseguindo alcançar as metas que precisa. Às vezes ele até consegue, sob pena de muito esforço e dedicação dele e da própria equipe. Às vezes ele não consegue e fica super ansioso com relação às justificativas que vai precisar fazer sobre o não alcance do resultado.
Independente disso – ou seja, se alcançou ou não a meta – o desgaste físico e emocional do líder foi muito grande e é nesse momento que surge um primeiro ponto crítico: como o líder reage emocionalmente a esse cenário? Um líder com baixa inteligência emocional pode reagir com irritação, tomar decisões impulsivas e transferir pressão para a equipe quando as coisas não dão certo. Já um líder com alta inteligência emocional consegue reconhecer suas emoções, entender suas causas e responder de forma mais equilibrada a tudo o que aconteceu. Essa atitude positiva muda o cenário porque o comportamento do líder define o clima da equipe.
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Aliás, tem um ponto que eu acho bem curioso e às vezes preocupante no que diz respeito a alcançar ou não o resultado. Eu já vi casos em que o líder precisa justificar o não alcance das metas. Essa explicação é esperada e até normal, pois é a partir dela que a empresa pode elaborar ações corretivas para reverter a situação. Mas a situação que mais chama a atenção é quando o líder alcança o resultado. Nesse caso, ele não precisa se justificar e os gestores – e o próprio líder – podem achar que está tudo bem. Mas a aparente calma na superfície esconde o verdadeiro caos que ocorre no dia-a-dia. Nesta situação, os resultados alcançados às vezes escondem o desgaste emocional que foi necessário para chegar na meta.
É nesse momento que o controle emocional se mostra essencial, porque remete à capacidade controlar impulsos, manter o foco e agir com consistência, pois, se para o líder a rotatividade gera um cenário desafiador, a equipe também sente porque a rotatividade gera insegurança, sobrecarga, incerteza e desgaste emocional naqueles colaboradores que, de fato, colaboram e trabalham em prol da empresa. Significa dizer que as pessoas que verdadeiramente vestem a camisa também sentem muito e dependem da inteligência emocional do líder para continuarem bem e motivadas. E é aqui que entra um dos pilares mais importantes da inteligência emocional: a empatia.
Empatia é compreender sem julgar. Não é concordar com tudo, mas sim, compreender o outro em sua realidade. Um líder empático consegue perceber quando alguém está desmotivado, quando há sinais de desgaste e quando há necessidade de apoio. Essas percepções fazem parte da inteligência emocional e permitem intervenções mais eficazes por parte do líder, permitindo que o líder enxergue ou procure entender as motivações que existem por trás de determinados comportamentos.
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A liderança emocionalmente despreparada é um risco para a organização porque em ambientes de alta rotatividade, líderes sem inteligência emocional tendem a aumentar a pressão sobre quem fica e assim ignorar os sinais de desgaste destas pessoas. Também resulta em um tratamento de pessoas de forma padronizada e no foco exagerado somente em resultados imediatos. Quando isso acontece, a consequência óbvia e imediata é ainda mais rotatividade, contribuindo para a perpetuação de um ciclo que envolve ambiente difícil – liderança reativa – aumento do desgaste – mais saídas e assim por diante.
Por isso que eu vejo a inteligência emocional como um dos componentes mais essenciais para a liderança dos dias de hoje. Verdade seja dita, este tem sido um dos temas mais presentes nos treinamentos que eu tenho realizado com as lideranças, porque as empresas – e os líderes – têm entendido que esse tema é muito estratégico porque impacta diretamente na retenção de talentos nas empresas.
Pesquisas mostram que um dos principais motivos dos pedidos de demissão é a relação das pessoas com o líder e essa relação tem sido cada vez mais emocional do que técnica. Sabe-se que um líder emocionalmente inteligente gera confiança, cria segurança psicológica e constrói relações saudáveis. O melhor de tudo é que isso faz com que o líder também atue no desenvolvimento da inteligência emocional das pessoas com que trabalha.
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Fala, galera do Coachitório Online.
A inteligência emocional é um dos pilares da quinta revolução industrial, pois a fim de lidar com a ambiguidade e a complexidade do dia-a-dia organizacional, é necessário muito controle emocional por parte do líder. Sem equilíbrio emocional, o líder não sustenta a serenidade necessária para lidar com tudo o que faz parte do seu trabalho. Hoje em dia é mais do que necessário equilibrar razão com emoção.
Mas eu quero ouvir você! Como está a sua inteligência emocional? Ficarei feliz com seus comentários. Se preferir, pode escrever para fabiano@ponteaofuturo.com.br Te faço também um pedido: escolha um episódio do Coachitório Online para compartilhar com seus amigos, nas suas redes sociais e lembre-se de apertar o botão para seguir o nosso podcast. Vamos aumentar o número de pessoas que está nos acompanhando nessa jornada.
Encontro você no próximo episódio! Um abraço!