Transcrição do episódio "266 – Produzir sem Adoecer"
Olá, pessoal! Meu nome é Fabiano Goldacker. Sou Coach Executivo da Ponte ao Futuro.
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Produzir sem adoecer
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Todo episódio do Coachitório Online é especial porque é fruto de transpiração e inspiração. Mas esse episódio é ainda mais especial porque vai ao ar no mês de setembro, que é o mês dedicado à valorização da vida. Estamos no setembro amarelo e nunca foi tão importante falar sobre a saúde mental, a nossa saúde mental. Essa importância cresce porque vivemos em uma sociedade que valoriza, ou melhor, nos estimula a dar conta de tudo e sermos produtivos em tudo, pois, do contrário, parece que não somos dedicados, resilientes e até competentes.
Temos que ser pais melhores, maridos ou esposas melhores e profissionais melhores. Temos que investir continuamente em nossa educação e dedicar tempo para a nossa saúde física, emocional e espiritual. Temos que estar atualizados com as últimas notícias e, no meio disso tudo, ainda encontrar tempo para dormir. Aliás, não basta dormir, tem que ter um sono de qualidade e quantidade. No ambiente corporativo, essa realidade é ainda mais evidente. Empresas precisam ser competitivas, equipes precisam atingir metas e profissionais são constantemente desafiados a evoluir. Somos incentivados a entregar mais, fazer mais, aprender mais e alcançar resultados cada vez maiores.
Mas existe uma pergunta que precisa ser feita: qual é o preço que estamos pagando por essa produtividade?
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A saúde mental no ambiente organizacional é um dos assuntos que eu mais tenho estudado nos últimos tempos. Tem sido tema de vários treinamentos e palestras que eu tenho feito e, felizmente, é um assunto que tem entrado cada vez mais na pauta das reuniões estratégicas das empresas. A expressão “produzir sem adoecer” tornou-se uma espécie de mantra que tem guiado boa parte dos planejamentos e das práticas de desenvolvimento humano dentro das empresas. Aqui no Coachitório Online também tem sido um tema crescente. Só nesta temporada, os episódios # 257, 259 e 263 falaram deste tema. Em temporadas anteriores você também vai ver que esse tema foi abordado nos episódios #201 e 209, da oitava temporada. Só para citar alguns e convidar você a maratonar esses episódios que complementam de forma importante o que vamos falar hoje.
A verdade é que produzir e adoecer são verbos que não deveriam caminhar juntos. O trabalho pode e deve ser uma fonte de realização, crescimento e propósito. No entanto, quando as exigências ultrapassam limites saudáveis, ele também pode se tornar uma fonte de sofrimento emocional. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os transtornos relacionados à saúde mental estão entre as principais causas de afastamento do trabalho em todo o mundo. Ansiedade, depressão, esgotamento emocional e síndrome de burnout tornaram-se temas frequentes nas organizações e passaram a fazer parte das preocupações dos líderes e profissionais de gestão de pessoas.
Mas é importante fazer uma reflexão equilibrada, pois nem todo sofrimento emocional tem origem exclusivamente no trabalho. Aliás, eu sempre bato nesta tecla e já defendi essa tese em outros episódios do Coachitório Online. Eu faço essa defesa porque, muitas vezes, as pessoas chegam ao ambiente profissional carregando desafios pessoais, familiares, financeiros e relacionais que também impactam sua saúde mental. Isso acontece porque o ser humano não consegue separar a vida pessoal da vida profissional, e assim levamos para o trabalho nossas preocupações, medos, expectativas e frustrações. Da mesma forma, levamos para casa as pressões e emoções vividas durante a jornada de trabalho.
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É por isso, falar sobre saúde mental exige uma visão ampla e responsável. Não se trata de encontrar culpados. Trata-se de compreender que a saúde emocional é resultado de múltiplos fatores que interagem constantemente. Nesse contexto, o papel da liderança se torna fundamental, porque durante muitos anos acreditamos que, para ser um bom líder, bastava dominar processos, tomar decisões rápidas e cobrar resultados. Hoje sabemos que isso não é suficiente. Os melhores líderes são aqueles que conseguem combinar desempenho com humanidade no trato com as pessoas. São líderes capazes de perceber sinais de desgaste emocional em si mesmos e em suas equipes. Líderes que sabem ouvir, acolher e orientar sem abrir mão da busca por resultados.
E aí tem um ponto de atenção: isso não significa que devemos transformar líderes em psicólogos. Significa reconhecer que liderar pessoas envolve compreender que as emoções fazem parte do ambiente de trabalho e que a perda da motivação ou a queda no desempenho não são necessariamente sinais de desinteresse no trabalho, pois podem estar mostrando que a pessoa que está sendo cobrada não está conseguindo mais responder de forma produtiva às pressões que recebe. Perceber esses sinais, buscar entender suas origens e propor formas de neutralizar as causas dessa fadiga emocional são competências que devem fazer parte da agenda de trabalho do líder.
Em termos mais simples, significa dizer que a liderança puramente técnica, racional e pautada em resultados deve estar acompanhada de competências comportamentais que permitam que o líder atue como aquele que pode identificar e estender a mão para aquela pessoa que está precisando de cuidados para com a sua saúde mental. Para reforçar: não se trata de fazer com que o líder seja um psicólogo, mas sim de dotar o líder de competências mínimas que permitam que ele ajude as pessoas que precisam de auxílio.
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As empresas têm um papel importante na construção de ambientes psicologicamente saudáveis. Isso inclui promover relações respeitosas; estimular comunicação aberta; oferecer suporte adequado; combater práticas abusivas e valorizar o equilíbrio entre desempenho e bem-estar. São pontos que passam fortemente pela liderança. Mas a responsabilidade não é apenas das empresas ou dos líderes. Cada um de nós também precisa assumir o protagonismo no cuidado com a própria saúde mental e, embora eu tenha comentado no comecinho do episódio que somos sempre estimulados a fazer várias coisas para além do trabalho e da família, a verdade é que se torna cada vez mais essencial desenvolver hábitos que favorecem o nosso equilíbrio emocional. Hábitos como dormir adequadamente, praticar atividade física, cultivar relacionamentos saudáveis, ter momentos de lazer e buscar apoio psicológico quando necessário são práticas que precisam fazer parte do nosso dia-a-dia.
Mas, atenção: não significa que temos que fazer tudo isso, todos os dias. Como diz o velho ditado, a diferença entre o remédio e o veneno está na dosagem. Assim, eu acredito que uma vida equilibrada é poder adotar boas práticas que possamos fazer sem que elas também sejam fontes de pressão e stress em nossas vidas. Pode parecer estranho, mas atividades físicas ou de lazer também podem se tornar fonte de fadiga mental se as considerarmos como uma espécie de obrigação, algo que temos que fazer, pois, do contrário, nos sentiremos mal por não termos feito. Atividades físicas, hobbies ou lazer devem ser feitos com o coração leve, senão, de pouco adiantam.
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Talvez uma das grandes mensagens do Setembro Amarelo seja justamente a de que a vida precisa vir antes da produtividade. Nenhum cargo, nenhuma meta e nenhum resultado valem mais do que a saúde física e emocional de uma pessoa. Mas isso não significa abandonar a busca por excelência, mas sim compreender que excelência verdadeira não é resultado de exaustão. Ela é resultado de equilíbrio. As organizações mais admiradas do mundo têm aprendido uma lição importante: pessoas saudáveis produzem melhor. Profissionais que se sentem respeitados, valorizados e emocionalmente seguros tendem a apresentar níveis mais elevados de criatividade, comprometimento e colaboração.
Eu mesmo já senti isso na pele, assim como já tive a oportunidade de fazer várias pesquisas que comprovam isso. Ou seja, cuidar da saúde mental é uma questão humana e estratégica para as empresas. Saber aliar a cobrança por produtividade e resultados com um ambiente de trabalho que preserve a qualidade de vida do ser humano é um tema a ser tratado de forma estratégica pelas empresas. A resposta para este desafio não está em deixar de cobrar resultados, mas em como os resultados são cobrados. A cobrança por desempenho faz parte da existência de qualquer organização. Empresas precisam gerar valor, atender clientes e manter sua sustentabilidade financeira. O problema não está na cobrança em si, mas em modelos de gestão que associam resultados à pressão excessiva, ao medo ou à insegurança psicológica.
Particularmente, acredito que tudo fica mais fácil quando estabelecemos expectativas claras. As pessoas precisam saber o que se espera delas, quais são as prioridades e os critérios que serão utilizados para avaliar seu desempenho. E, lógico, que as condições para que isso seja alcançado sejam garantidas. Outro ponto importante é não abrir mão da cobrança por comportamentos e atitudes, não só do líder, mas também dos liderados. Comportamentos inadequados e posturas negativas ou improdutivas não podem ser toleradas, pois desta forma aqueles que trabalham e se dedicam deverão compensar aqueles que não agem desta forma. Assim, a carga fica mais pesada e o adoecimento irá surgir.
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Fala, galera do Coachitório Online.
Uma equipe emocionalmente saudável tende a apresentar maior engajamento; melhor comunicação; menor índice de conflitos; maior capacidade de inovação e desempenho sustentável. Aliás, gostaria de fazer um destaque para a “sustentável”, pois existe uma grande diferença entre produzir muito por algumas semanas e produzir de forma consistente durante anos. A produtividade sustentável depende de energia física, mental e emocional. Depende de tecnologia, mas depende muito de nós.
Mas eu quero ouvir você! Ficarei feliz com seus comentários. Se preferir, pode escrever para fabiano@ponteaofuturo.com.br Te faço também um pedido: escolha um episódio do Coachitório Online para compartilhar com seus amigos, nas suas redes sociais e lembre-se de apertar o botão para seguir o nosso podcast. Vamos aumentar o número de pessoas que está nos acompanhando nessa jornada.
Encontro você no próximo episódio! Um abraço!