• 10ª Temporada
  • Temas Relevantes para Carreiras Importantes 2026

  • É fundamental estarmos atualizados e termos à disposição informação e conhecimento que ajudem a nossa vida pessoal e profissional. Esse ponto foi determinante para elegermos a temática da décima temporada do Coachitório Online. Na nova temporada, iremos trazer conteúdos atualizados sobre pessoas, carreira e liderança. Iremos falar sobre inteligência artificial, conhecimento, liderança, saúde mental e vários outros tópicos importantes, sempre cuidando para que cada episódio provoque algumas reflexões que vão ajudar no desenvolvimento da sua vida pessoal e profissional.

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261 – Espiritualidade no Ambiente de Trabalho

Quando falamos sobre espiritualidade no trabalho, estamos falando de propósito, valores, conexão e coerência entre o que se prega e o que se faz. Em termos mais simples, a espiritualidade no trabalho está relacionada à necessidade humana de encontrar significado naquilo que faz, pois envolve a integração entre vida interior e vida profissional. Por isso que, quando falamos de espiritualidade no ambiente corporativo, não se trata de trazer rituais religiosos para dentro da empresa, mas de permitir que o indivíduo não precise deixar sua essência do lado de fora quando entra para trabalhar.

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Transcrição do episódio "261 – Espiritualidade no Ambiente de Trabalho"

Olá, pessoal! Meu nome é Fabiano Goldacker. Sou Coach Executivo da Ponte ao Futuro.

A espiritualidade no ambiente de trabalho

Quero começar o episódio de hoje contando uma historinha. Convido o ouvinte do Coachitório Online imaginar o seguinte: estamos por volta do ano 410 a.C., quando encontramos Sócrates, conhecido filósofo grego, participando de um grande banquete oferecido por um poeta de Atenas, chamado Agatão. Depois de desfrutarem de uma grande quantidade de comida e bebida, o anfitrião propõe aos convidados que dediquem um tempo para conversarem sobre algo diferente. Foi aí que um dos convidados, chamado Pausânias, sugere então que os presentes façam discursos para louvar ao amor. 

Atento a tudo o que acontecia, Sócrates sugere que os discursos sejam dedicados a tentar definir o que é o amor. Sua proposta foi aceita e assim outros dois convidados, chamados Fedro e Aristófanes, além de Pausânias e Agatão, passaram a discorrer sobre suas visões a respeito do tema. Quando chegou sua vez, Sócrates comenta que o objeto do amor nunca está presente, mas sempre é solicitado. Para o filósofo, ama-se somente aquilo que não se tem. Sócrates discorre que, desta forma, é possível amar não somente as coisas materiais, mas também aquilo que não se vê, como a verdade e a sabedoria. Para ele, a verdade e a sabedoria serão sempre objetos de uma frustrada busca do ser humano, pois quando pensamos tê-las atingido, elas nos escaparão entre os dedos.

O trecho que eu acabei de citar está escrito no livro “O Banquete”, do filósofo grego Platão, que foi um dos discípulos de Sócrates. Inspirado por esse texto, eu quero te convidar para uma reflexão um pouco diferente. Uma reflexão que, talvez, não seja tão comum dentro das empresas, mas que cada vez mais tem se tornado necessária. Hoje nós vamos falar sobre a espiritualidade no ambiente de trabalho. E antes que o ouvinte do Coachitório Online pense que esse é um tema religioso, já vou esclarecendo algo muito importante: espiritualidade e religião são duas coisas diferentes. Aliás, esse tema não é novo aqui no podcast sobre pessoas, carreira e liderança. Já falamos deste assunto lá no episódio #169, da sexta temporada do Coachitório Online. Convido o ouvinte a dar mais uma olhadinha nesse episódio, que complementa de forma importante o que estamos falando aqui.

Voltando à história do banquete do qual Sócrates participou, talvez a espiritualidade possa ser colocada ao lado da verdade e da sabedoria, pois ao pensarmos que alcançamos a espiritualidade, descobrimos que ainda há muito a aprender e evoluir. O alvorecer de um novo século e a emergência de mudanças sociais e organizacionais trouxeram a necessidade de integrar as quatro áreas fundamentais que definem a essência da existência humana: o corpo (físico), a mente (pensamento lógico/racional), o coração (emoções, sentimentos) e o espírito. A vida profissional tem se tornado mais exigente, acelerada, estressante e ambígua, o que tem feito com que as pessoas procurem cada vez mais por seus valores e por meios de alcançar a estabilidade emocional em meio a este mundo caótico.  

Nesta busca por respostas, as pessoas têm percebido que um olhar para dentro de si e a paz interior são fontes importantes para a sua adaptação ao ambiente e estabilidade no longo prazo. Perceba que quando falamos de espiritualidade no ambiente corporativo, estamos nos referindo a algo muito mais amplo. Estamos falando de sentido, propósito, valores, conexão e coerência entre o que se faz e o que se acredita. Em termos mais simples, a espiritualidade no trabalho está relacionada à necessidade humana de encontrar significado naquilo que faz, pois envolve a integração entre vida interior e atividade profissional.

Por isso que, quando falamos de espiritualidade no ambiente corporativo, não se trata de trazer rituais religiosos para dentro da empresa, mas de permitir que o indivíduo não precise deixar sua essência do lado de fora quando entra para trabalhar. Por conta disto e dos crescentes desafios que a globalização impôs ao mercado, as empresas passaram a se concentrar nas questões comportamentais dos seus funcionários no local de trabalho, fazendo com que os valores pessoais, sociais e psicológicos de cada ser humano sejam levados em conta. Os funcionários têm procurado cada vez mais identificar a natureza e o significado de seu trabalho e desejam ser reconhecidos como membros de organizações que perseguem propósitos valiosos, ao invés de meramente como indivíduos buscando recompensas econômicas. 

Organizações bem-sucedidas têm prestado grande atenção à educação e ao treinamento de seus funcionários, pois essas organizações sabem que o desenvolvimento do seu capital humano deve atender a necessidades que ultrapassam as questões materiais dos seus colaboradores. A espiritualidade no local de trabalho ajuda a preencher o anseio das pessoas por questões que superam os aspectos materiais. Além disso, a discussão sobre a espiritualidade no local de trabalho oferece a oportunidade de refletir sobre o significado e o propósito do trabalho, identidade e sentido individual, cooperação, diálogo, liderança moral e sabedoria. 

Nesse momento, talvez você esteja se perguntando por que a espiritualidade tem ganhado relevância no meio organizacional. O fato é que, durante muito tempo, o ambiente corporativo foi estruturado com base em uma lógica predominantemente racional. Foco na produtividade, eficiência e resultados. De certa forma, isso fazia, ou melhor, ainda faz muito sentido. Mas o mundo mudou e essa visão mais cartesiana, material e racional não é suficiente. Hoje, vivemos em um contexto em que o trabalho ocupa grande parte da vida, as pessoas buscam mais do que apenas remuneração e há um aumento significativo de problemas relacionados à saúde mental.

Pense no seguinte: quantas pessoas você conhece que executam tarefas sem entender o porquê, não se sentem conectadas com o que fazem e que trabalham apenas por obrigação? Talvez até você seja uma delas. Pesquisas da OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que transtornos como ansiedade e depressão estão diretamente relacionados ao ambiente de trabalho e isso nos leva a uma pergunta inevitável: como podemos unir desempenho e propósito no meio organizacional? Esse é o terreno onde a espiritualidade se torna relevante no meio organizacional.

Felizmente, o interesse pela espiritualidade no local de trabalho tem motivado a comunidade acadêmica a tomar medidas para promover pesquisas sobre o assunto. Isso fez com que pesquisas na área de Administração começassem a tomar um novo rumo, olhando para fatores que influenciam o bem-estar dos funcionários, sendo a espiritualidade no local de trabalho um destes fatores. Mas embora a espiritualidade nas empresas seja cada vez mais considerada como uma importante área de estudo, a forma como a espiritualidade se relaciona com outras variáveis organizacionais ainda precisa ser estudada com mais profundidade.

Só para você ter uma ideia, o estudo da espiritualidade nas empresas começou na década de 1990. Desde aquela época, a espiritualidade organizacional é caracterizada pelo desejo das pessoas viverem seus valores espirituais no local onde exercem sua atividade profissional. Trata-se de pessoas e organizações que veem o trabalho como uma oportunidade de crescer e contribuir para a sociedade de forma significativa. Trata-se de cuidado, compaixão e apoio de outros e para os outros, sobre a integridade e sobre as pessoas serem verdadeiras consigo mesmas e com os outros. 

À título de curiosidade, já no ano de 2000, ou seja, há 26 anos, a livraria online Amazon criou uma subseção de livros dedicados à espiritualidade no local de trabalho. Recentemente eu realizei uma consulta na livraria online da Amazon e acabei encontrando 635 títulos sobre o tema “Workplace Spirituality” (espiritualidade no local de trabalho, em inglês), 205 títulos sobre o tema “Espiritualidade no Local de Trabalho”, 170 títulos sobre o tema “Espiritualidade nas Empresas” e 476 títulos sobre o tema “Espiritualidade Organizacional”. Tenho acompanhado essa contagem e posso dizer que o número de títulos disponíveis sobre a espiritualidade nas empresas tem aumentado muito nos últimos anos. Além disso, conferências internacionais sobre o tema espiritualidade e gestão são realizadas a cada ano. Exemplo disto é o MSR (Management, Spirituality and Religion), que é um grupo de pesquisa internacional ligado ao Academy of Management e que congrega pesquisadores de mais de cem países, dedicados ao estudo da espiritualidade no local de trabalho.

Mas não pense que é tudo um mar de rosas. Também há críticas com relação à forma como a espiritualidade tem sido tratada no local de trabalho. Há autores que argumentam que, ao descobrirem que a espiritualidade no local de trabalho pode ser utilizada para melhorar o desempenho organizacional, as organizações tendem a fomentar a prática da espiritualidade somente com a finalidade de alcançar metas e objetivos ao invés de verdadeiramente se preocuparem com o bem-estar espiritual de seus colaboradores. Também há preconceitos e ignorância, pois há pessoas que confundem espiritualidade com religião (e foi por isso que eu fiz o alerta lá no comecinho do episódio sobre a diferença entre ambos), bem como também se percebe que muitas pessoas têm se afastado tanto da espiritualidade como da religião.

Veja que o assunto é provocativo. A própria natureza da espiritualidade é profundamente pessoal e muitas pessoas ficam tensas com a introdução deste tema no mundo dos negócios. Assim como os convidados do banquete de Agatão foram convidados a falar livremente sobre o amor, à medida que crescemos em nossa capacidade de falar abertamente sobre espiritualidade sem dúvida encontraremos diferenças em nossos pontos de vista e enfrentaremos conflitos, mas também poderemos descobrir novos entendimentos sobre nosso trabalho e encontrar novas maneiras de enfrentar algumas das dificuldades que nos cercam na nossa carreira e vida organizacional.

Fala, galera do Coachitório Online. 

Talvez a grande questão não seja se devemos falar de espiritualidade no trabalho, mas sim de começarmos a refletir sobre o que acontece quando não falamos? Eu penso que não há como separar os benefícios individuais e os benefícios organizacionais que a espiritualidade nas empresas proporciona, pois a melhoria do desempenho organizacional é um objetivo legítimo e as empresas devem encarar a espiritualidade como um recurso que pode ser utilizado para este fim.

Mas eu quero ouvir você! Ficarei feliz com seus comentários. Se preferir, pode escrever para fabiano@ponteaofuturo.com.br Te faço também um pedido: escolha um episódio do Coachitório Online para compartilhar com seus amigos, nas suas redes sociais e lembre-se de apertar o botão para seguir o nosso podcast. Vamos aumentar o número de pessoas que está nos acompanhando nessa jornada.

Encontro você no próximo episódio! Um abraço!