Desmond Tutu, bispo sul-africano que venceu o Prêmio Nobel da Paz, em 1984, por causa da sua luta contra o Apartheid, comentou certa vez:
“- Meu pai sempre dizia: não levante a voz! Ao invés disso, melhore os seus argumentos!”
Talvez seja desnecessário dizer o quanto essa frase serve para ilustrar muitas conversas que presenciamos hoje em dia. Na realidade, nem sempre são conversas, mas sim discussões, o famoso “bate-boca”.
E acredito que a linha que separa uma boa conversa de uma discussão não é o conteúdo do que está sendo conversado, mas sim a maneira que dialogamos. Quando eu falo “da maneira”, me refiro principalmente:
- Ao tom de voz;
- À escolha das palavras que utilizamos na conversa;
- Além da linguagem corporal empregada.
É muito comum ver pessoas que tentam ganhar as discussões na base do grito, ou seja, falando alto de forma intimidadora, batendo na mesa ou usando palavras que não contribuem para a conversa.
Infelizmente, em muitos casos, esses indivíduos vencem porque as pessoas com quem conversam não têm perfil daqueles que gostam de discussão e, para não alimentar ainda mais o bate-boca, acabam desistindo da conversa porque veem que não vale a pena discutir.
O mais interessante é notar que, geralmente, as pessoas que levantam a voz fazem isso pois não têm poder de convencimento. O estoque de argumentos dessas pessoas logo termina, e tudo que lhes resta é partir para a força, para a imposição.
Também acredito que as pessoas que levantam a voz não têm argumento, porque não têm domínio sobre aquilo que estão discutindo. Acham que entendem do assunto, mas suas análises são superficiais e seu entendimento sobre o tema é limitado. Geralmente, isso acontece com quem muito fala, pouco ouve e pouco observa.
E quem ouve pouco e observa pouco, aprende pouco e fica sem condições de tentar argumentar de uma forma mais inteligente.
Alguns poderiam pensar que o que realmente importa é impor o argumento e ganhar a discussão. Em certos momentos isso é verdadeiro, pois algumas situações podem exigir uma atitude mais enérgica na comunicação. É tudo uma questão de equilíbrio, de saber quando usar um estilo mais forte ou quando usar um estilo mais suave.
Só que o problema passa a ser justamente esse, por dois motivos:
- É difícil saber com precisão qual é a hora certa para cada tipo de argumento;
- E geralmente, as pessoas que gostam de levantar a voz numa discussão têm somente esse recurso para utilizar.
Mas, também acho que esse ponto de melhoria pode ser trabalhado e, para isso, basta que a gente repare nas reações das outras pessoas, quando nossa forma de se comunicar não é adequada. Pois, certamente, as pessoas não irão conseguir disfarçar o incômodo que sentem, quando alguém está usando a força para argumentar algo.
Quando evidenciamos esse tipo de reação fica claro que temos que mudar o tom.
O ambiente fala conosco o tempo todo e, quando aprendemos a reparar nele, torna-se mais fácil a gente mudar determinados comportamentos e atitudes!

