A faixa de pedestres é uma área de segurança. É uma área que nos diz que, naquele ponto, a preferência será sempre do pedestre, quando ele quiser fazer uso dela para atravessar uma rua.

É o lugar que, teoricamente, nos aponta a forma mais correta e segura de chegar ao nosso objetivo.

Eu gosto da metáfora da faixa de pedestres para falar da importância de fazermos as nossas travessias nas áreas que são as mais seguras e indicadas. Eu sou formado em Administração, e uma das coisas que mais buscamos é criar condições seguras para que as empresas consigam avançar de forma sustentável, apesar das incertezas e da imprevisibilidade que nos cerca.

Minha atuação como Coach também parte da premissa que devemos construir um caminho seguro, para conseguirmos avançar em direção dos nossos objetivos pessoais e profissionais. 

Mas por que é importante adotarmos uma faixa de segurança em nossas vidas?

Primeiramente, por uma questão cultural que faz parte da vida de muitos brasileiros: não atravessamos na faixa de pedestres. Inúmeros são os flagrantes de pessoas que se arriscam a atravessar ruas tranquilas ou até mesmo avenidas movimentadas fora da faixa de segurança; muito embora ela exista e tudo o que precisamos é caminhar poucos metros para que a gente a encontre.

Ou seja, para muita gente a faixa de segurança é algo decorativo e, assim, preferem o risco de cruzar a rua fora a faixa.

Esse é um ponto importante, pois muitas pessoas talvez digam que “gostam do risco” ou que “às vezes é preciso se arriscar para chegar lá”. Atravessar fora da faixa de pedestres não tem a ver com arriscar. Tem a ver com ser irresponsável.

Naturalmente, o ato de atravessar na faixa de pedestres não elimina o risco de ser atropelado. Assim como o fato de fazermos planos e de nos cercarmos das melhores informações para tomarmos as melhores decisões, não elimina o risco inerente às mudanças que a gente quer fazer na nossa vida e na nossa carreira.

Mas é fundamental que a gente procure pela faixa de segurança e, quando nela estivermos, que a gente olhe para o lado para não sermos atropelados enquanto estamos caminhando sobre ela. Pois, infelizmente, isso também pode acontecer. 

Com isso, quero dizer que o planejamento por si só não nos dá o direito de sermos negligentes com a caminhada. Mesmo que estejamos certos e seguros sobre o lugar onde estamos e aonde queremos chegar. E mesmo que tenhamos certeza de que a faixa de pedestres que iremos atravessar é a mais segura que existe, temos que olhar para os lados constantemente ao atravessarmos a rua, porque o risco sempre existe. 

Certa vez, perguntaram para o velejador Amyr Klink sobre os riscos de suas viagens; perguntaram se ele não tinha medo de fazer aquelas aventuras… Ele respondeu que: “não eram aventuras, mas sim missões com planejamento detalhado e execução controlada”. Tudo era muito bem pensado. Falou ainda que: “aventura seria acordar pela manhã, colocar uma mochila nas costas e decidir atravessar o oceano num barco, sem planejamento“.

Concordo plenamente! O planejamento não elimina o risco, mas faz com que sejamos mais responsáveis e menos aventureiros. E mesmo com todo o planejamento, é preciso ter cuidado na execução para não sermos atropelados sobre a faixa de pedestres.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *