Transcrição do episódio "255 – Existe um propósito para a carreira?"
Olá, pessoal! Meu nome é Fabiano Goldacker. Sou Coach Executivo da Ponte ao Futuro.
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Existe um propósito para a carreira?
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Toda ação que empreendemos tem um propósito. Todo trabalho e todo esforço tem um objetivo, pois tudo o que fazemos na esfera pessoal e profissional deve ter um sentido, que é o que vai efetivamente disparar nossa vontade de arregaçar as mangas e realizar algo. Esse objetivo deve estar claro no campo de visão de todos, porque do contrário nada do que fizermos vai ter sentido. E quando a tarefa não tem sentido, a ação não tem sentido e tudo vira um sacrifício.
A partir disso torna-se possível entender mais facilmente o que é a motivação. Motivação é o conjunto de razões que temos para agirmos em direção a um determinado objetivo. Pessoas motivadas agem movidas por um propósito e sabem muito bem que suas ações fazem muito sentido diante do objetivo a ser alcançado.
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Nesse comecinho de podcast você já deve ter imaginado que o episódio de hoje vai ser “motivacional”. Para alguns, é maravilhoso ler textos e mensagens, ouvir podcasts ou assistir a palestras e treinamentos motivacionais. Já outras pessoas torcem o nariz quando ouvem a palavra “motivacional”. Mas o fato é que a motivação está em tudo, ou melhor, deveria estar em tudo o que fazemos. Motivação é o motivo para uma ação, é a razão para a qual a gente faz o que gente faz. E a motivação vai fazer cada vez mais sentido ou estar cada vez mais clara na medida em que ela estiver ligada ao propósito.
Também é comum afirmar que a motivação é algo que vem de dentro. Essa afirmação é parcialmente verdadeira, pois estímulos externos podem até levar a pessoa a agir, mas talvez não irão gerar motivação nela porque os estímulos – os “motivos” – apresentados não fazem sentido para ela. Esse é o momento em que o que fará a diferença para gerar a motivação é a conexão que a pessoa vai fazer entre os argumentos apresentados e seus propósitos e conjunto de valores. Explicando de outra forma, não basta que as argumentações que lançamos no intuito de convencer uma pessoa a realizar algo sejam as mais convincentes possíveis. Essas argumentações precisam fazer sentido para as pessoas, pois do contrário o que nos motiva não irá se conectar com o que irá motivar as outras pessoas.
É verdade que sempre há pessoas dispostas a colaborar em todo e qualquer desafio, sem precisar de argumentos para vestirem a camisa e se dedicarem ao trabalho. São as pessoas que sempre estarão do lado da empresa, da equipe ou do líder. No entanto, em função de tudo que se observa em termos de tecnologia e pelo fato de que as relações de trabalho têm mudado significativamente ao longo dos anos, é cada vez mais difícil encontrar pessoas que preencham esse perfil.
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Diante dessa complexa relação – na qual de um lado estão as coisas que precisam ser feitas e de outro lado está a necessidade de engajarmos as pessoas para fazer o que precisa ser feito – surge a importância de conhecermos bem cada pessoa para que possamos reconhecer nelas os fatores que provocarão essa conexão de propósitos a fim de que elas se sintam motivadas a agir. Há também a necessidade de utilizarmos a forma e o conteúdo adequados para despertar esse engajamento.
No que diz respeito a conhecer as pessoas, talvez essa seja a missão mais fácil, porém a mais complexa para as lideranças. Para conhecermos as pessoas, basta estarmos abertos à comunicação e atentos aos sinais que elas constantemente transmitem. As pessoas se comunicam o tempo todo e à medida que desenvolvermos a capacidade de observar esses padrões, passamos a conhecer melhor as pessoas. Há também os testes de avaliação de perfil comportamental, mas penso que nada substitui a interação entre as pessoas como a melhor forma de as conhecermos.
Outro desafio é utilizar a forma e o conteúdo adequados para fazer com que nossos propósitos se conectem com os propósitos das outras pessoas. A conexão de propósitos se dá numa esfera muito mais emocional do que racional, ou seja, se quisermos engajar as pessoas somente com argumentos que seguem na linha da “meta tem que ser batida” ou “o pedido precisa ser entregue” ou ainda “porque são ordens lá de cima”, estaremos somente levando a comunicação para o lado racional da conversa. Pode até ser que algumas pessoas entendam que esse conteúdo é suficiente, mas a maioria não vai se encantar com a mensagem.
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A busca pelo propósito no trabalho tem sido uma das questões mais presentes na vida do ser humano neste século. Confesso que eu até acho que tem gente que exagera nessa busca, nesse tema, ficando até neurótica com isso. Para alguns, é uma busca sem fim, algo do tipo “o propósito está na busca e não no que encontramos”. Para outros, é como procurar o pote de ouro no fim do arco-íris, ou seja, algo que não faz nem sentido começar a procurar. Mas o fato é que há, deve haver, um propósito para o que fazemos e quando as pessoas trazem esse tema para mim eu costumo dizer que o propósito profissional é algo mais simples do que imaginamos.
Um exemplo disso é uma pesquisa que eu vi há alguns anos. A pesquisa foi realizada pela Harvard Business Review e publicada no Brasil pela revista Época Negócios, que apontava que a busca pelo propósito faz mais sentido do que a busca pela felicidade no trabalho. Tema interessante, sem dúvida, ainda mais quando descobrimos que as pessoas que participaram da pesquisa afirmaram que o propósito é algo mais prioritário do que a felicidade no trabalho pelo fato do propósito ser mais perene, mais estável do que a sensação de felicidade. Quando perguntadas sobre o que significa o propósito, as pessoas responderam que o propósito é ver sentido no trabalho que realizam. Não tem a ver com ocupar altos cargos estratégicos ou fazer aquilo que sempre sonhou. Muito pelo contrário, tem a ver com algo mais simples: ter a certeza de que o seu trabalho está sendo útil, que faz a diferença para as pessoas e para a empresa e, principalmente, que é realizado em um bom ambiente.
Veja só que muita gente já identificou que o propósito no trabalho é algo simples e, parafraseando Leonardo da Vinci, a simplicidade é o último grau da sofisticação. Essa abordagem não é nova. Nos anos 1940, um psicólogo chamado Abraham Maslow divulgou seus estudos sobre a hierarquia das necessidades do ser humano. A Pirâmide de Maslow deixava claro que o ápice da realização pessoal não tem a ver com o dinheiro ou sucesso financeiro, mas sim com o propósito. Pessoas ricas podem encontrar o seu propósito, mas a riqueza não é condição essencial para que isso ocorra. Como sugestão, deixo a dica para ouvir novamente o episódio #125, da quinta temporada, no qual falamos especificamente sobre a Pirâmide de Maslow.
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Outro ponto importante ligado ao propósito profissional está no livre arbítrio. Na minha vida eu já percebi que determinadas escolhas que fiz meio que me tiraram do propósito que eu havia escolhido para mim. De fato, é assim. Há determinadas escolhas que nos tiram do propósito maior da nossa vida e, assim, a própria vida se encarrega de nos tirar daquela trajetória que escolhemos para nos colocar novamente no caminho que nos levará ao nosso propósito. Foi assim que aconteceu comigo, algumas vezes.
Sei que para muitos parece difícil acreditar nisso, até porque talvez essa questão do “grande propósito” não esteja tão clara ou não seja para todos. Talvez… O fato é que por acreditar que há esse grande propósito, tenho me policiado para pensar sempre que determinadas ocorrências em minha vida profissional não sejam vistas como derrotas ou reveses, mas sim como lições, aprendizado, experiência e, principalmente, com um marco de sucesso para alcançar o que está lá na frente.
Essa atitude fará muita diferença, pois agir motivado por um propósito é bem diferente de agir sem saber qual é o sentido do que estamos fazendo. Quando agimos motivados por um propósito, nossas decisões são mais claras e não somos seduzidos por oportunidades de trabalho e ganhos fáceis, que eventualmente podem nos tirar da rota.
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No fim das contas, pode ser que um dia você seja tomado por uma sensação de que foi escolhido para uma missão. Às vezes essa missão não está clara, mas eis que determinadas pessoas passam a conviver conosco e aí passamos a nos perguntar como e porque elas passam a fazer parte do nosso convívio. Fica a sensação de que a nossa missão pode, na realidade, estar associada a estas pessoas. Há um motivo, um propósito para que elas tenham vindo a fazer parte da nossa vida. A questão mais importante passa a ser descobrir qual é essa missão e como essas pessoas podem ajudar nisso.
Mas antes de tudo isso é preciso que você se sinta o escolhido para essa missão. Que você entenda a possibilidade de que há um propósito mais elevado para a vida de cada pessoa e que, na realidade, todo ambiente ao nosso redor pode conspirar de maneira favorável ou desfavorável à nossa missão. Assim que essa mensagem ficar mais clara – e, principalmente, quando optar por ver as coisas sob uma ótica positiva – a pessoa se torna protagonista da sua vida. Ao saber que é um escolhido, cada pessoa toma as rédeas da situação e executa ações que a levarão a determinar como será o seu futuro, como será a sua vida.
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Fala, galera do Coachitório Online.
Eu acredito fortemente que há um propósito em tudo o que ocorre e tudo que precisamos saber é que a nossa existência tem uma finalidade bem clara. As coisas são como precisam ser, no seu tempo, no seu lugar e há um aprendizado em tudo. A gratidão e o propósito são muito importantes para nossas vidas, tanto é que vários ensinamentos religiosos, doutrinas espirituais e correntes filosóficas ressaltam que devemos ser gratos pelo que nos acontece e recebemos, pois tudo tem um propósito.
Então eu quero ouvir você. Você conhece seus propósitos pessoais e profissionais? Ficarei feliz com seus comentários. Se preferir, pode escrever para fabiano@ponteaofuturo.com.br Te faço também um pedido: escolha um episódio do Coachitório Online para compartilhar com seus amigos, nas suas redes sociais e lembre-se de apertar o botão para seguir o nosso podcast. Vamos aumentar o número de pessoas que está nos acompanhando nessa jornada.
Encontro você no próximo episódio! Um abraço!