Transcrição do episódio "253 – A Importância de Formar Novos Líderes"
Olá, pessoal! Meu nome é Fabiano Goldacker. Sou Coach Executivo da Ponte ao Futuro.
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A importância de formar novos líderes
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No episódio anterior eu abordei uma pauta que tem dado pano pra manga. A pergunta que deu norte ao episódio era: quem é o líder em uma equipe de líderes? O assunto repercutiu porque despertou outro ponto importante, diretamente ligado ao que falamos no episódio passado: como formar novos líderes? Essa pergunta, que muitas vezes é feita para mim em tom de preocupação, mostra que existe uma dificuldade crescente em formar novos líderes. Mas, diante do que eu tenho visto nas empresas, a dificuldade não é necessariamente na formação, mas sim em pontos que antecedem a formação do líder. Me refiro a identificar pessoas com potencial e disposição para serem formados e, principalmente, a engajar esses colaboradores e despertar neles a vontade de serem líderes.
Essa percepção, ou melhor, essa preocupação é cada vez mais comum e legítima. Em muitas organizações, o cargo de liderança passou a ser associado a sobrecarga, pressão constante, pouca autonomia e alto risco emocional, o que naturalmente afasta bons profissionais. Para reverter esse cenário e reencantar as pessoas com a liderança, as empresas precisam repensar profundamente como o papel do líder é estruturado, reconhecido e apoiado. É sobre isso que o Coachitório Online vai falar hoje, de forma coladinha com o tema do episódio anterior.
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Acredito que um dos primeiros passos para a formação de novos líderes é a definição do que é ser um líder para aquela empresa. Pode parecer esquisito falar isso, mas, acredite em mim: não é toda empresa que tem clareza sobre o que espera dos seus líderes. Em linhas gerais, a gente sabe que os líderes são responsáveis pelas pessoas de sua equipe e, consequentemente, pelas tarefas e processos em que todos são envolvidos. Também sabemos que o líder é responsável pelos resultados ou metas que são atribuídos a ele. Mas há casos, ou melhor, muitos casos, em que tarefas, processos e resultados esperados não estão claros. Inclusive, há casos em que o próprio líder não sabe direito quem é a sua equipe.
Mas na minha modesta opinião, o pior de tudo é quando a empresa não sabe dizer o que espera da sua liderança em termos de comportamentos, atitudes e valores. A empresa falha em expressar o que ela espera em termos de conduta do seu líder e assim, consequentemente, falha também em não conseguir alinhar o líder em torno dos valores e da cultura da organização. Quando esse desalinhamento ocorre, é fácil perceber que o líder parece o músico de uma orquestra que está tocando de forma descoordenada em relação aos demais músicos da banda. E quem é músico sabe que basta uma peça estar desafinada para que toda a música fique desafinada.
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Tão importante quanto esclarecer o papel do líder dentro da organização é promover uma boa estratégia de delegação das tarefas do líder para as pessoas da equipe. Saber delegar é fundamental para qualquer pessoa, mas para o líder é quesito essencial na lista de competências que ele deve ter, por alguns motivos bem simples, mas bem importantes. O primeiro diz respeito à natural redução da sobrecarga do líder. Nem tudo deve ser feito somente pelo líder. Nem tudo precisa passar para que o líder cheque, dê um OK ou autorize. Líderes centralizadores aumentam a carga sobre seus ombros, tornam-se gargalos e geram ociosidade, ineficiência e insatisfação na sua equipe.
Outro motivo que torna essencial a habilidade de delegação por parte do líder é permitir que, assim, ele foque em questões mais estratégicas, questões nas quais ele deve se envolver mesmo e que dizem respeito ao papel do líder. Num português mais simples, as questões que são de responsabilidade do líder. Acontece que, muitas vezes, o líder não delega justamente para fugir das atribuições mais complexas do cargo e, assim, tudo fica atravessado. Decisões demoram, problemas não são resolvidos e algumas situações não são analisadas como deveriam.
Por fim, o ponto mais importante é que a delegação é a forma mais eficiente de formar novos líderes, pois ela envolve a transferência de conhecimento e de responsabilidade para a pessoa a quem iremos delegar. Ao transferir conhecimento e responsabilidade, estou ensinando a pessoa. E a cereja do bolo acontece quando eu ensino, acompanho e dou apoio para ela.
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Então é preciso que o líder tenha em mãos uma espécie de guia completo de sobrevivência, que vai lhe dizer quais são as coisas pelas quais ele será cobrado e quais são as coisas que ele deverá cobrar, assim como quais são os comportamentos e atitudes que esperamos dele. Aqui, eu arrisco a dizer que um dos paradigmas que a gente precisa mudar é o modelo de líder herói, aquele que resolve tudo, está sempre disponível e absorve todos os problemas. Aliás, falamos sobre essa característica de liderança lá no episódio #167, da sexta temporada. Vale a pena revisitar esse episódio para conhecer mais sobre os riscos do líder herói.
A liderança precisa ser sustentável. Precisa ser um trabalho possível, não um fardo. Precisa ser apresentada como um papel de influência e desenvolvimento de pessoas, e não como um cargo de sacrifício pessoal. Quando liderar passa a ser visto de uma maneira mais estratégica e inteligente ao invés de sofrida, o interesse das pessoas pelas responsabilidades da liderança certamente vai aumentar porque as pessoas passarão a perceber que a liderança não tem somente a ver com um exercício de sofrência, pois mostrará que a empresa cuida da saúde emocional de todas as pessoas, inclusive dos líderes. Mostrará que o líder também é vulnerável e que essa vulnerabilidade não é sinal de fraqueza.
Se as pessoas veem líderes adoecendo, se afastando ou perdendo qualidade de vida, elas não querem ocupar esse lugar. Muito pelo contrário: elas querem se afastar. E novamente digo, em minha modesta opinião, que atualmente a relação entre risco e recompensa no que diz respeito à liderança não tem valido a pena. Muita gente acaba percebendo que os riscos emocionais de se tornar um líder não compensam as eventuais recompensas – sobretudo financeiras – que o cargo exige. Aliás, não é raro a gente ver que a recompensa financeira demora para chegar quando a pessoa está na liderança. Líderes saudáveis inspiram outras pessoas a desejarem ser líderes também e para ser saudável o líder precisa ter saúde física, psicológica, emocional e financeira.
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Só que eu acredito que tem um ponto que deve ser tratado antes de falarmos em formar em um novo líder. Quero dizer que, antes de formar um novo líder, é preciso formar uma pessoa. Talvez eu devesse ter começado o episódio por aqui, mas vamos lá. Quando eu falo em desenvolver a pessoa, me refiro ao fato de que por trás daquele líder há um ser humano com suas dificuldades, cultura, comportamentos e vontades. Daqui a pouco, assim que eu terminar de escrever esse episódio, eu irei para uma reunião em um cliente, em uma consultoria pela Ponte ao Futuro. A reunião é para começar a falar sobre o planejamento para a formação de um líder em que a empresa está apostando.
É uma pessoa boa, um excelente colaborador, que tem muitos pontos fortes e muitos pontos de melhoria. Ele não está pronto. Aliás, está longe de estar pronto. Mas o ponto mais importante e o que mais pesa positivamente sobre a decisão de promovê-lo ao cargo de liderança é que ele é uma boa pessoa. Tem bons valores, bons princípios e é uma pessoa do bem. Além disso, está com vontade de assumir o cargo. No episódio #243, da temporada passada, nós falamos um pouco sobre essa vontade, essa predisposição que a pessoa precisa ter para assumir um cargo de liderança. É preciso querer assumir as responsabilidades inerentes ao cargo e eu te convido a ouvir novamente esse episódio, que complementa de forma importante o que estamos falando aqui.
Querer assumir responsabilidades é essencial para todo e qualquer líder, só que esse é um atributo de comportamento que é difícil de treinar. O que funciona bem, neste caso, sempre é o bom exemplo. Líderes que mostram ser responsáveis pelas suas tarefas, resultados e com a sua equipe sempre irão servir como exemplo e terão em sua equipe pessoas responsáveis também.
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É por essas e outras que é essencial olharmos para o líder não só como um cargo ou como um responsável por atingir metas, mas sim como uma pessoa que tem responsabilidades e que também precisa de cuidado e desenvolvimento, pois ninguém se sentiria à vontade para assumir uma função para a qual não se sentem preparada ou sequer será preparada. Por isso que um PDI (Plano de Desenvolvimento Individual), uma formação progressiva e mentorias ajudam a construir na pessoa a segurança que ela precisa para assumir a nova função.
É importante lembrar que as pessoas se espelham no que veem. Nos bons e maus exemplos. Por isso é necessário criar modelos de liderança inspiradores, pois, do contrário, a gente vai se decepcionar quando descobrir que ninguém quer ser líder na empresa, pois líderes sobrecarregados, autoritários ou desmotivados não motivam ninguém a seguir a mesma trilha.
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Fala, galera do Coachitório Online.
O que eu tenho visto nas minhas andanças é que as pessoas não rejeitam o cargo de liderança. Elas rejeitam um modelo de liderança que adoece e é pouco humano. Ao criar ambientes mais justos, sustentáveis e significativos, as empresas não precisam “convencer” ninguém a liderar, pois este passa a ser o desejo natural das pessoas. Por isso que eu sempre recomendo que os sucessores sejam formados. É importante garantir que os propósitos e os valores organizacionais que foram cultivados ao longo dos anos sejam preservados. Mas também sugiro que as pessoas a serem sucedidas se preparem para o futuro. Que tenham um norte, um novo projeto, algo novo a realizar. É assim que a gente fecha o ciclo que garante uma passagem de bastão bem-sucedida.
Mas eu quero ouvir você. Você acredita que trabalha em uma empresa que forma novos líderes? Ficarei feliz com seus comentários. Se preferir, pode escrever para fabiano@ponteaofuturo.com.br Te faço também um pedido: escolha um episódio do Coachitório Online para compartilhar com seus amigos, nas suas redes sociais e lembre-se de apertar o botão para seguir o nosso podcast. Vamos aumentar o número de pessoas que está nos acompanhando nessa jornada.
Encontro você no próximo episódio! Um abraço!