• 10ª Temporada
  • Temas Relevantes para Carreiras Importantes 2026

  • É fundamental estarmos atualizados e termos à disposição informação e conhecimento que ajudem a nossa vida pessoal e profissional. Esse ponto foi determinante para elegermos a temática da décima temporada do Coachitório Online. Na nova temporada, iremos trazer conteúdos atualizados sobre pessoas, carreira e liderança. Iremos falar sobre inteligência artificial, conhecimento, liderança, saúde mental e vários outros tópicos importantes, sempre cuidando para que cada episódio provoque algumas reflexões que vão ajudar no desenvolvimento da sua vida pessoal e profissional.

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266 – Conhecimento para a Vida e para a Carreira

Lá no começo deste século, Peter Drucker já alertava que estávamos entrando em uma nova era: a era do conhecimento. A tese de Peter Drucker era simples: ele via que as empresas e a sociedade estavam cada vez mais enfatizando e valorizando a atuação das pessoas nas empresas. Como consequência, ele entendia também que as pessoas precisavam dar uma nova dimensão para o seu trabalho, ao reconhecer a importância do conhecimento e do potencial de realização de cada pessoa em suas carreiras. Ele defendia que a gestão deveria focar no desenvolvimento contínuo das pessoas, mas defendia também que cada pessoa deveria ser o arquiteto da construção do seu próprio conhecimento.

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Transcrição do episódio "266 – Conhecimento para a Vida e para a Carreira"

Olá, pessoal! Meu nome é Fabiano Goldacker. Sou Coach Executivo da Ponte ao Futuro.

Conhecimento para a vida e para a carreira

Promessa é dívida! No último episódio do Coachitório Online falamos sobre conhecimento, mais especificamente sobre o conhecimento na era digital, e o fato do assunto ser tão denso e importante me levou a te fazer a promessa de dar continuidade a esse tema. E é por isso que no episódio de hoje do nosso podcast sobre pessoas, carreira e liderança vamos falar novamente sobre conhecimento. Mas, desta vez, vamos falar sobre esse assunto de uma maneira mais focada na nossa carreira. Então, se você não ouviu o episódio anterior, te convido desde já a se inteirar sobre o que falamos sobre o conhecimento na era digital.

No episódio anterior eu falei sobre do conhecimento sob a ótica de uma trilha, que é composta por dado, informação, conhecimento e experiência. Foi uma explicação um tanto didática, mas necessária, para desfazer essa visão errada de que, no mundo de hoje, temos muito acesso ao conhecimento. Digo que é uma visão errada porque o que temos, na realidade, é acesso à informação. E, para que essa informação se transforme em conhecimento e, posteriormente, em experiência, é preciso que a gente dedique tempo e esforço para qualificar, dar sentido e saber usar a informação a fim de transformá-la em conhecimento.

Também fiz alguns comentários sobre a nossa falta de capacidade de analisar criticamente o que a gente vê todos os dias na internet. Fiz esse comentário porque, por incrível que pareça, muita gente considera absolutamente verdadeiro tudo o que veem na internet, não importando a fonte, quem falou ou o assunto. Em um mundo em que o conhecimento é cada vez mais escasso, mais abundantes serão a desinformação e as fake News de plantão. Mas o que isso tem a ver com a nossa carreira? De que forma a falta de conhecimento e a desinformação atrapalham o nosso crescimento profissional? 

Curiosamente, no dia de ontem, ou melhor, no dia em que antecedeu a gravação deste episódio, eu estava em uma empresa, um cliente, fazendo uma reunião com alguns líderes. O tema da reunião era justamente o desenvolvimento das pessoas. Para ser mais específico, estávamos falando sobre como fazer com que um analista seja, verdadeiramente, um analista, e sobre como fazer com que um analista comece a se tornar um líder. De certa forma, já falamos um pouco sobre esse tema nos episódios #236, da temporada passada, e #253, desta temporada e aproveito para te convidar a ouvir novamente o que falamos neste episódio.

O papel do analista é um tema bem sensível para mim, sobre o qual eu sou bastante crítico. Minha crítica está justamente na falta de capacidade que muitos analistas têm para cumprir seu papel básico, que é o de analisar. Analistas analisam. E o resumo da ópera da reunião que falei há pouco foi que falta conhecimento, falta domínio técnico e conceitual para boa parte dos analistas e, por conta disso, eles não conseguem desempenhar a sua atividade. Na minha modesta opinião e procurando ser bem contido na crítica, eu costumo dizer que estes analistas não passam de auxiliares de luxo.

Eu fiz esse comentário porque, infelizmente, esse é o fim da linha na carreira deste tipo de analista. Não há mais para onde crescer, para onde ir. Nem mesmo a escolha por uma carreira técnica, de especialização – que falamos no episódio #258 – vai salvar a carreira de uma pessoa que não consegue pensar, explicar ou analisar criticamente o que está fazendo. 

Pode parecer exagerado e até um tanto melodramático da minha parte, mas é verdade esse bilhete. Esse alerta é sério, pois as pessoas e as empresas têm muito a perder se essa situação prosperar. Os colaboradores que não avançam em conhecimento, que não se desenvolvem e não se especializam devem considerar que, em pouco tempo, boa parte do que fazem será substituído por uma automação ou inteligência artificial. Quando isso for viável e possível em grande escala, adeus emprego. Para as empresas já está sendo ruim porque muitas já se veem em uma espécie de gargalo ou beco sem saída, pois precisam formar novos líderes e precisam que as pessoas entreguem serviços de mais qualidade e com mais eficiência, mas não conseguem.

Mas quem pensa que esse assunto é novo, está enganado. Mesmo antes do começo dos anos 2000, Peter Drucker já alertava que o século 21 marcaria o início de uma nova era para a sociedade: a era do conhecimento. Por essas e outras que ele é um dos meus autores preferidos, um dos mais citados por mim aqui no Coachitório Online e um dos mais celebrados autores na área de Administração. A tese de Peter Drucker era simples: ele via que as empresas e a sociedade estavam cada vez mais enfatizando e valorizando a atuação das pessoas nas empresas. Como consequência, ele entendia também que as pessoas precisavam dar uma nova dimensão para o seu trabalho, ao reconhecer a importância do conhecimento e do potencial de realização de cada pessoa em suas carreiras. 

Drucker foi muito corajoso ao afirmar que é limitada a visão de que a gestão deve somente no operacional e em indicadores de desempenho, desconsiderando o potencial do ser humano e a necessidade de desenvolvimento contínuo das pessoas. Mais recentemente, em um livro chamado “Gestão do Amanhã”, os professores brasileiros Sandro Magaldi e José Salibi Neto fazem questionamentos importantes a respeito do conhecimento para os níveis de gestão e liderança. Afirmam que os gestores das empresas também devem se desenvolver continuamente, sob pena de que a gestão de uma empresa ficará empobrecida se os líderes não se atualizarem no que diz respeito à tecnologia e aos novos modelos de gestão.

Se considerarmos o que falou Peter Drucker, já faz tempo que entramos na era do conhecimento. Como eu já tenho alguns anos de experiência, posso afirmar que passei pela transição do analógico para o digital e vi (ou melhor, estou vendo) o salto quântico pelo qual o conhecimento tem passado nos últimos anos. Na minha modesta análise, posso garantir que ninguém passará ileso por essa era do conhecimento, ou seja, todos nós estamos sendo afetados pela necessidade de aprendermos mais e continuamente, em um ritmo mais acelerado do que antes. E isso tem impactos significativos para a nossa vida e a nossa carreira. 

Verdade seja dita, isso tem feito com que muita gente se mobilize com o objetivo de se desenvolver. O desejo pelo aprendizado continua alto, talvez mais forte e necessário do que nunca. Porém, as alternativas e os métodos que nós temos ainda são incompletos e não atendem plenamente o conhecimento requerido para a atualidade. Assim, ficam as seguintes perguntas para nós, para os líderes e gestores: que tipo de conhecimento é necessário para lidar com esse novo contexto? Os modelos de gestão que utilizamos hoje dão conta das mudanças provocadas por toda essa modernidade? O conhecimento acadêmico está preparado para lidar com esse novo mundo? E qual é o perfil do novo líder, visto que o ambiente mudou tanto? 

Essas perguntas são pertinentes porque, em primeiro lugar, o atual modelo de formação educacional e profissional ainda está baseado em dotar os alunos de um conhecimento de pouco valor agregado, que já está sendo substituído por automação e inteligência artificial. E a velocidade desta substituição só irá aumentar. Nesse sentido, cabe às escolas e, principalmente, às faculdades, fazerem uma revisão imediata das suas grades curriculares a fim de dotar os alunos de competências que são valorizadas e que ainda são carentes na atualidade. Me refiro, novamente, à capacidade analítica. Mas também saliento que a tomada de decisão, a boa comunicação e o relacionamento interpessoal são competências altamente valorizadas e que não estão sendo ensinadas adequadamente em casa, nas escolas e nas faculdades.

Tem também um tipo de conhecimento que eu considero fundamental para nos tornarmos seres humanos cada vez melhores em pleno século 21. Me refiro ao autoconhecimento, o conhecimento de si próprio. Temos evoluído e melhorado enquanto profissionais e, principalmente, enquanto pessoas, mas arrisco a dizer que precisamos refletir mais a respeito do quanto precisamos ainda evoluir e é nesse ponto que entra o autoconhecimento. De uma forma bem simples, o autoconhecimento ajudará a revelar para nós mesmos o que já conhecemos, as competências que devemos desenvolver e as formas mais adequadas de fazer com que isso aconteça. Aliás, em nenhum momento do ambiente de carreira e trabalho ficou tão clara a necessidade de adotarmos estratégias para trabalharmos o autoconhecimento e a inteligência emocional. 

Isso acontece porque é imperativa a necessidade de equilibrar razão com emoção. A falta de autoconhecimento tem prejudicado as relações e tornado mais difícil o crescimento profissional de muita gente, porque a falta de autoconhecimento está diretamente ligada à falta de empatia pelo outro. Veja como o conhecimento é algo amplo, o que faz com que atualmente não diga respeito somente a questões técnicas ou habilidades específicas, mas sim à adoção de competências comportamentais, o que, com toda a modéstia, me leva a afirmar que conhecimento técnico e analítico são de fundamental importância e só têm a ganhar quando temperarmos essas habilidades com uma boa dose de competências comportamentais.

Fala, galera do Coachitório Online. 

O conhecimento é algo muito pessoal e é uma riqueza que sempre carregamos conosco, onde quer que trabalhemos. Mas, muito embora nós sejamos os proprietários do principal fator de produção – que é o conhecimento – vamos continuar dependendo do acesso às organizações para que nelas a gente consiga aplicar e tornar o nosso conhecimento útil. Seria como dizer que todo o conhecimento que eu investi para adquirir somente vai fazer sentido se pudermos utilizá-lo para o bem estar das pessoas e o sucesso das organizações. Por isso que as empresas são um agente fundamental para o nosso crescimento pessoal e profissional.

Mas eu quero ouvir você! Ficarei feliz com seus comentários. Se preferir, pode escrever para fabiano@ponteaofuturo.com.br Te faço também um pedido: escolha um episódio do Coachitório Online para compartilhar com seus amigos, nas suas redes sociais e lembre-se de apertar o botão para seguir o nosso podcast. Vamos aumentar o número de pessoas que está nos acompanhando nessa jornada.

Encontro você no próximo episódio! Um abraço!