• 10ª Temporada
  • Temas Relevantes para Carreiras Importantes 2026

  • É fundamental estarmos atualizados e termos à disposição informação e conhecimento que ajudem a nossa vida pessoal e profissional. Esse ponto foi determinante para elegermos a temática da décima temporada do Coachitório Online. Na nova temporada, iremos trazer conteúdos atualizados sobre pessoas, carreira e liderança. Iremos falar sobre inteligência artificial, conhecimento, liderança, saúde mental e vários outros tópicos importantes, sempre cuidando para que cada episódio provoque algumas reflexões que vão ajudar no desenvolvimento da sua vida pessoal e profissional.

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258 – Carreira em Y: Liderança ou Especialização?

O estado atual da liderança nas empresas, tem feito com que muitas pessoas prefiram construir suas carreiras sem que seu crescimento profissional tenha que passar pela experiência de ser um líder de pessoas. Não estou me referindo às pessoas que não querem a liderança, que rejeitam essa oportunidade e que rejeitam também o seu próprio crescimento profissional. Me refiro à carreira em Y, que é a possibilidade de crescimento profissional por meio da especialização técnica, ou seja, pelo domínio de uma competência específica que possibilita que a pessoa exerça a liderança ao se tornar uma referência técnica no que faz.

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Transcrição do episódio "258 – Carreira em Y: Liderança ou Especialização?"

Olá, pessoal! Meu nome é Fabiano Goldacker. Sou Coach Executivo da Ponte ao Futuro.

Carreira em Y: liderança ou especialização?

Desde que começamos o Coachitório Online, lá em 2019, sempre tivemos o propósito de trazer conteúdo de relevância para nossas vidas e carreiras. O nosso objetivo principal sempre foi o de ser um podcast sobre pessoas, carreira e liderança e cada episódio é projetado para atender a essa finalidade. Enfim, o ouvinte do Coachitório Online já me ouviu falar bastante sobre isso, mas eu quis trazer novamente esse assunto porque o tema “liderança” sempre mexe com muita gente. Liderança é a essência do meu trabalho de desenvolvimento humano e organizacional na Ponte ao Futuro, pelo simples fato de que o líder é o principal agente transformador de pessoas e geração de resultados dentro das empresas.

Parece ser bastante coisa, não é mesmo? Verdade seja dita, há bastante pressão, muita expectativa sobre o líder! E ela aumenta cada vez mais porque o elemento humano está sendo cada vez mais complexo e exigente no meio organizacional. Liderar pessoas em 2026 é muito diferente do que jamais foi na história e isso faz com que, como já dito, a liderança também se torne algo mais complexo. Por consequência, aos líderes cabem aprender e desenvolver um conjunto cada vez mais amplo de competências comportamentais e de gestão e às empresas cabe a nobre e árdua tarefa de desenvolver continuamente seus líderes.

Fiz toda essa introdução porque todo esse cenário que forma o estado atual da liderança nas empresas tem feito com que muitas pessoas prefiram construir suas carreiras sem que seu crescimento profissional tenha que, necessariamente, passar pela experiência de ser um líder de pessoas. Mas eu quero frisar desde já que não estou me referindo às pessoas que não querem a liderança, que rejeitam essas oportunidades e que rejeitam também o seu próprio crescimento profissional. Aliás, já falamos sobre isso lá no episódio #206, da oitava temporada e eu te convido a ouvir novamente porque o tema de hoje tem relação com o que falamos no episódio #206.

No episódio de hoje, eu quero falar sobre a carreira em Y, que é a possibilidade de crescimento profissional sem que a pessoa tenha que, necessariamente, tornar-se líder de pessoas. A carreira em Y é a possibilidade de crescimento profissional por meio da especialização técnica, ou seja, pelo domínio de uma competência específica que possibilita que a pessoa se torne um líder, uma referência técnica. A carreira em Y não é algo novo. Já se fala sobre essa construção profissional desde os anos 1980. Mas esse tema tem recebido mais atenção por conta do que comentei há pouco: há pessoas que querem crescer profissionalmente, que têm desejos e expectativas profissionais, mas que não se sentem confortáveis liderando pessoas.

Particularmente, eu acho louvável que a pessoa reconheça e admita isso, assim como acho louvável a empresa reconhecer, acolher e encontrar meios para que essa pessoa se desenvolva, seja promovida e permaneça na empresa. E que quero chamar a atenção para isso porque quem acompanha meu trabalho na Ponte ao Futuro e o Coachitório Online já me ouviu fazer uma leve crítica à romantização do papel do líder. Deixa eu explicar melhor: falamos muito sobre o líder ser um bom gestor de pessoas e isso é altamente verdadeiro. O líder precisa ser um bom ser humano, para si mesmo, para seus colegas e para todas as pessoas com quem se relaciona. Mas por muito tempo, a liderança técnica foi a protagonista, ou seja, o bom líder era aquele que era um bom técnico.

Veja que a liderança técnica ainda é essencial para as empresas, pois no dia-a-dia organizacional ocorrem problemas e desafios que demandam que bons técnicos resolvam. Da mesma forma, são os bons técnicos que criam e desenvolvem processos e produtos. O líder pode até ser focado em pessoas, mas não pode deixar de ser um bom técnico. É nesse ponto que a carreira em Y ganha mais força nos dias de hoje, porque se trata de apresentar escolhas profissionais e caminhos de desenvolvimento. 

A carreira em Y é um modelo de desenvolvimento profissional que oferece duas trajetórias equivalentes de valorização dentro de uma organização: uma possibilidade é o caminho da liderança, na qual a pessoa assume responsabilidades de gestão, coordenação de pessoas, tomada de decisões estratégicas e influência sobre resultados coletivos. Outra possibilidade é o caminho da especialização, que se refere ao aprofundamento em um campo técnico, transformando-se em uma referência em conhecimento, inovação ou habilidades sofisticadas. 

A carreira em Y não tem esse nome à toa. Se você imaginar a letra Y, escrita em sua forma maiúscula, mostra uma espécie de bifurcação, dois caminhos igualmente importantes a partir de um mesmo ponto de partida. Essa abordagem desmistifica a ideia de que “liderar pessoas é melhor do que ser especialista” e, por ser melhor, será mais reconhecido e mais bem remunerado. Pesquisas também mostram que competências técnicas (expertise) e competências de liderança (influenciar e motivar pessoas) são igualmente essenciais para uma boa performance organizacional. Enquanto muitas organizações ainda estruturam progressões de carreira em formato de escada (ou seja, subir, sempre subir), a carreira em Y reconhece que existem pelo menos dois caminhos de desenvolvimento igualmente valiosos: o caminho da liderança e o caminho da especialização. E a grande pergunta que profissionais e organizações enfrentam hoje é: qual caminho seguir – liderança ou especialização?

Outras pesquisas em gestão de carreira e comportamento organizacional confirmam que pessoas e organizações se beneficiam do reconhecimento de múltiplos caminhos de desenvolvimento. Estudos na área de gestão apontam que as pessoas hoje buscam mais significado e alinhamento com seus propósitos, e não apenas ascensão hierárquica. Nos dias de hoje, no mundo do trabalho, as carreiras deixaram de seguir trajetórias lineares e previsíveis. A ideia tradicional de que “o profissional precisa subir a escada da hierarquia para alcançar sucesso” vem sendo substituída por modelos mais flexíveis, diversificados e alinhados à realidade de cada pessoa, que é justamente o papel a carreira em Y.

Optar pelo caminho da liderança de pessoas significa aceitar responsabilidades sobre pessoas e resultados coletivos. O líder é responsável por orientar, motivar, desenvolver, unir e conseguir performance com as pessoas. Isso envolve competências como inteligência emocional, comunicação assertiva, visão estratégica, tomada de decisão ética e gestão de conflitos. Aliás, vale citar que todas essas competências já foram temas de episódios aqui no Coachitório Online. Assim, a liderança é um caminho que pode ser profundamente gratificante, pois permite impacto organizacional, desenvolvimento de outras pessoas e participação estratégica em decisões de topo. Porém, ela também exige maior tolerância à ambiguidade, pressão por resultados, capacidade de negociação e, muitas vezes, exposição pública.

Por outro lado, o caminho da especialização privilegia profundidade de conhecimento, expertise técnica, capacidades analíticas e inovação. Especialistas são reconhecidos como referências em suas áreas, gerando valor por meio de soluções complexas, inovação e educação continuada. Na literatura sobre carreiras, a especialização é frequentemente associada à capacidade de criar vantagens competitivas sustentáveis para as organizações, justamente por meio de habilidades que são difíceis de replicar. Isso porque os especialistas tendem a ter maior autonomia técnica e reconhecimento por conteúdo e qualidade. Mas vale dizer que, embora o caminho do especialista não envolva necessariamente gestão de pessoas, ele requer disciplina, estudo contínuo e capacidade crítica.

Então você me pergunta: liderança ou especialização? O que escolher? A resposta não é universal porque a escolha depende de fatores individuais e organizacionais, como motivação e propósito pessoal (porque algumas pessoas sentem realização por impactar equipes e cultivar talentos; outras encontram sentido em aprofundar conhecimento e resolver problemas complexos). Depende também do estilo cognitivo e personalidade, porque pesquisas em psicologia organizacional mostram tendências comportamentais que podem favorecer um caminho ou outro. 

Outro ponto importante são as oportunidades de carreira na organização, pois nem toda empresa oferece crescimento equivalente em liderança e especialização. O ambiente organizacional deve ser avaliado. E, finalmente, vale avaliar o mercado e o setor de atuação, pois em setores altamente técnicos (como tecnologia, engenharia ou saúde), a especialização pode ter tanta ou mais valorização que a liderança de pessoas. Em setores de serviços ou grandes organizações, por outro lado, a liderança de pessoas pode ter maior impacto estratégico.

De acordo com o relatório do World Economic Forum sobre trabalho e habilidades o mercado valoriza cada vez mais tanto “habilidades técnicas profundas” quanto “competências de liderança e gestão”. Por isso, e acima de tudo, vale ressaltar o quanto isso é importante para a sua saúde. Estudos sobre saúde organizacional sugerem que modelos que valorizam tanto líderes de pessoas quanto especialistas promovem maior engajamento e menor rotatividade. 

Fala, galera do Coachitório Online. 

É importante olhar com atenção para a bifurcação das carreiras modernas. Não se trata de uma escolha simples ou padronizada. Envolve profundidade de autoconhecimento, avaliação de contexto, entendimento de propósito e alinhamento com as oportunidades existentes. A carreira em Y é um convite para repensarmos o que valorizamos em nós mesmos e nas organizações. Não existe uma rota superior ou inferior, mas sim, existem trajetórias coerentes com cada pessoa.

Por outro lado, liderar não é necessariamente “melhor” do que especializar-se. São papéis diferentes, com impactos distintos, e ambos são essenciais para o funcionamento saudável das organizações. O que importa é que você faça essa escolha de forma consciente, com base em quem você é, no que você valoriza e no tipo de contribuição que deseja deixar no mundo do trabalho.

Mas eu quero ouvir você! Ficarei feliz com seus comentários. Se preferir, pode escrever para fabiano@ponteaofuturo.com.br Te faço também um pedido: escolha um episódio do Coachitório Online para compartilhar com seus amigos, nas suas redes sociais e lembre-se de apertar o botão para seguir o nosso podcast. Vamos aumentar o número de pessoas que está nos acompanhando nessa jornada.

Encontro você no próximo episódio! Um abraço!