• 10ª Temporada
  • Temas Relevantes para Carreiras Importantes 2026

  • É fundamental estarmos atualizados e termos à disposição informação e conhecimento que ajudem a nossa vida pessoal e profissional. Esse ponto foi determinante para elegermos a temática da décima temporada do Coachitório Online. Na nova temporada, iremos trazer conteúdos atualizados sobre pessoas, carreira e liderança. Iremos falar sobre inteligência artificial, conhecimento, liderança, saúde mental e vários outros tópicos importantes, sempre cuidando para que cada episódio provoque algumas reflexões que vão ajudar no desenvolvimento da sua vida pessoal e profissional.

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251 – Quem é o lider em uma equipe de líderes?

O dia-a-dia de um líder de líderes é recheado de pratos que ele precisa equilibrar e é isso que torna a sua função tão complexa. Só que além disso, o líder estratégico começou a se dar conta de que ele também precisa desenvolver suas próprias habilidades de liderança, para que ele possa liderar bem a sua equipe de líderes operacionais. Isso acontece porque os líderes operacionais começaram a perceber que também ele precisa de liderança. Precisam de alguém que os oriente, ensine e dê feedbacks, afinal, o líder operacional também é um profissional que precisa ser acolhido e desenvolvido.

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Transcrição do episódio "251 – Quem é o lider em uma equipe de líderes?"

Olá, pessoal! Meu nome é Fabiano Goldacker. Sou Coach Executivo da Ponte ao Futuro.

Quem é o líder em uma equipe de líderes?

O título deste episódio é uma pergunta. Aliás, por sinal é uma pergunta muito válida, muito pertinente porque já tem um tempinho que os líderes mais estratégicos estão olhando para as suas organizações e têm percebido que algo está faltando no seu exercício de liderança. Essa pergunta está pipocando na mente de muitos gestores estratégicos porque eles têm visto que a complexidade do seu cargo está aumentando rapidamente. O mundo digital e a tecnologia cumprem o seu papel de auxiliarem esses executivos, mas, por outro lado, também aceleram em muito os processos analítico e decisório que cabem aos gestores.

Novos indicadores surgem porque precisamos olhar para a empresa por todos os ângulos. Exigências maiores por parte de clientes e colaboradores fazem com que a empresa precise sempre estar atenta para as suas relações com o mercado e com suas relações internas. E, para variar, há sempre a preocupação com a eficiência operacional, margem líquida, faturamento, metas e por aí vai. O dia-a-dia de um líder de líderes é recheado de pratos que ele precisa equilibrar e é isso que torna sua função tão complexa.

Só que além disso tudo, o líder estratégico começou a se dar conta de que ele também tem que desenvolver suas habilidades de liderança, assim como acontece com seus líderes operacionais. Deixe-me tentar explicar um pouco melhor isso aqui. Por muito tempo, os trabalhos ligados ao treinamento de lideranças focaram somente no desenvolvimento daqueles líderes do nível operacional, aqueles que têm uma equipe de auxiliares ou assistentes e que estão diretamente envolvidos nos processos essenciais do negócio. Como geralmente esses líderes são os responsáveis pelo maior contingente, ou as maiores equipes da empresa, os treinamentos foram muito focados no desenvolvimento deste nível de liderança. Na realidade, ainda são.

Já tem alguns anos que isso precisou mudar, porque esses mesmos líderes operacionais que são treinados continuamente acabam percebendo que também eles precisam de liderança, ou seja, eles precisam que seus gestores também cumpram o papel de liderança e façam com os líderes os mesmos feedbacks, acolhimentos, orientações que eles fazem com a equipe operacional. Num português mais simples, os líderes começaram a pedir para ter um líder que os oriente. 

Essa mudança começou a tirar os gestores de nível tático das suas zonas de conforto. Para facilitar a linguagem, podemos, em linhas gerais, chamar esses gestores de nível tático de gerentes. Bom, a zona de conforto desses gestores começou a ser sacudida porque eles passaram a perceber a necessidade de serem bons líderes para os seus líderes. Mas acontece que eles não vinham sendo preparados para isso. Eram os gerentes à moda antiga, que são gente boa, mas que estão essencialmente focados no processo e nos números. É uma liderança racional, objetiva e mais pragmática.

A fim de ajudar nesse processo evolutivo, novos treinamentos surgiram, processos de mentoria e de alinhamento estratégico foram desenvolvidos para que, finalmente, os gestores de nível tático também pudessem ser bons líderes para a sua equipe, que é uma equipe de líderes. Só que o assunto não acaba aqui, por dois motivos principais. O primeiro diz respeito a um fato que, na minha humilde opinião, é lamentável: a maioria das empresas ainda não envolve seu nível gerencial nos treinamentos ou em qualquer outra metodologia de desenvolvimento de liderança. Não raro eu ouço que “nossos gerentes não precisam” ou “que não têm tempo”. Pior ainda é o que eu ouço quando tenho a oportunidade de estar com os líderes operacionais desta empresa, pois é comum que eles digam “quem deveria estar aqui, não está!”, em uma referência direta aos seus gestores.

O segundo motivo é igualmente preocupante e diz respeito não ao nível gerencial, mas sim ao nível estratégico, a liderança estratégica da empresa. Eu falo do nível estratégico – ou o nível de diretoria, se preferir – porque na medida em que o nível gerencial começar a desenvolver suas habilidades de liderança, é provável que eles também queiram ser liderados, também sintam a mesma falta de liderança que a liderança de nível operacional sentia. Isso faz com que o gestor estratégico de uma organização tenha que se tornar um líder de uma equipe de líderes.

Quando falamos de liderança e dos papeis de um líder, é muito provável que sejamos levados a pensar em liderança nesse sentido hierárquico. Ou seja, apesar da pessoa desempenhar com louvor o papel do líder, há ainda uma questão que faz com que esse líder seja também o superior hierárquico de sua equipe. Nesse relato que eu fiz até aqui, você deve ter percebido que eu fiz uma clara referência aos níveis hierárquicos claros de uma empresa. Falei das lideranças de nível operacional, passando pelo nível tático ou gerencial até chegar no nível estratégico ou diretoria, aquele famoso C-level. 

Como o ouvinte do Coachitório Online já sabe, sou formado em Administração e a questão a hierarquia ou pirâmide hierárquica é um tema clássico para as áreas de gestão, e não é para menos. Um organograma ou a hierarquia da empresa não serve para mostrar só quem manda em quem (aliás, essa é a função menos útil de um organograma). A hierarquia de uma empresa serve para identificar o fluxo de comunicação, processos e, principalmente, de liderança organizacional.

Esse conceito sempre foi verdadeiro, mas arrisco a dizer que a maioria das empresas não vê suas lideranças desta forma. Por isso é que essa relação hierárquica precisa ser ressignificada a fim de que aqueles que têm responsabilidade hierárquica sobre um grupo sejam verdadeiros líderes. Esse talvez seja o maior desafio organizacional do século 21, para que a habilidade de liderar líderes esteja mais presente em todos os gestores.

Puxando agora a brasa um pouco mais para a minha sardinha, eu tenho uma forma muito particular de ver as lideranças nas empresas e essa forma de ver é fortemente inspirada em tudo o que comentei aqui nesse episódio sobre liderança de líderes. Eu penso que todo líder precisa de liderança, assim como todo líder deve se ver como um líder de líderes. Significa que ele deve se ver em uma posição de dupla perspectiva, ou seja, em um momento ele é aquele que deve liderar e desenvolver pessoas e, em outro, é aquele que precisará ser liderado e desenvolvido.

Mas eu tomo a liberdade de adicionar mais um atributo ao papel do líder, que tem a ver com o fato de ele ser também parte de uma equipe. Ora, se olharmos para o organograma da empresa e se levarmos em conta de que líderes também têm líderes, é certo falar que os líderes fazem parte de uma equipe, que a equipe dos líderes. Embora seja uma visão muito simples e um tanto óbvia sobre o assunto, também é comum encontrar líderes e gestores para os quais não está clara essa forma de ver sua posição dentro da empresa. Ver a liderança somente em um sentido vertical vai fazer com que facilmente a liderança caia no campo do comando e controle. Mas quando o líder percebe que a liderança também é horizontal, ele verá que os demais líderes são seus colegas e que todos fazem parte de uma equipe: a equipe de líderes.

O objetivo de mostrar essa forma de ver a liderança é promover o coleguismo, a parceria, ao invés das competições internas. Líderes essencialmente hierárquicos e que não têm um gestor que os lidere vão fatalmente fazer com que seu departamento seja uma espécie de feudo ou reinado independente que tem que se proteger dos ataques alheios e atacar quando tiver a oportunidade. Mas quando todos os gestores agem como líderes de equipes e também partes de uma equipe, a visão lateral da liderança fica mais nítida e a empresa como um todo fica mais forte.

Eu acredito que a habilidade de liderar líderes seja a expressão maior da liderança, porque diz respeito a exercer um papel cuja responsabilidade está simplesmente em representar outras pessoas que exercem cargos de liderança. São pessoas que também têm um propósito bem claro e que enxergam na pessoa que os representa a incorporação da causa, do propósito que aquele grupo tem. Esse tipo de liderança pode ser percebido quando diversos líderes se reúnem em ambientes “neutros”, onde a autoridade do cargo de cada um exerce pouco efeito sobre o outro, ou seja, em lugares como entidades de classe, trabalhos voluntários ou mesmo outras atividades organizacionais nas quais a gente acaba se aliando a outros líderes. 

Nesses casos, fica claro que não há uma “chefia” ou uma hierarquia clara. Significa dizer que não há uma autoridade por meio do comando, e assim, essa liderança de líderes surge por conta do conhecimento, do respeito e do relacionamento que essa pessoa exerce sobre as pessoas. É um verdadeiro influencer.

Fala, galera do Coachitório Online. 

Tem uma frase que eu gosto muito, que diz que “grandes líderes criam outros líderes e não seguidores”. É uma frase atribuída ao escritor e palestrante americano Tom Peters, cujos livros e ideias já me inspiraram em alguns episódios do Coachitório Online. No episódio de hoje, não foi diferente.  Para Tom Peters, o verdadeiro sucesso de um líder não está em ter uma equipe que o admira, mas em formar uma equipe que é capaz de prosperar e tomar decisões com autonomia. Em outras palavras: o impacto de um líder é medido pelo sucesso das pessoas que ele ajuda a desenvolver.

Mas eu quero ouvir você. Você acredita que trabalha em uma empresa em que há líderes para seus líderes? Ficarei feliz com seus comentários. Se preferir, pode escrever para fabiano@ponteaofuturo.com.br Te faço também um pedido: escolha um episódio do Coachitório Online para compartilhar com seus amigos, nas suas redes sociais e lembre-se de apertar o botão para seguir o nosso podcast. Vamos aumentar o número de pessoas que está nos acompanhando nessa jornada.

Encontro você no próximo episódio! Um abraço!